Política

Governo de MS autoriza acesso da PKL One e servidores enfrentam crise financeira

Governo de MS autoriza acesso da PKL One e servidores enfrentam crise financeira

O Governo de Mato Grosso do Sul autorizou a PKL One Participações S.A., envolvida no escândalo do Banco Master, a acessar o sistema de folha de pagamento de seus servidores, mesmo sem estar na lista de instituições financeiras reguladas pelo Banco Central do Brasil (BC). Essa decisão resultou em mais de 500 ações no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) por contratação indevida, afetando principalmente servidores aposentados e idosos.

Até 2025, o Banco Master acumulou R$ 1,9 bilhão em operações na categoria Reserva de Cartão Consignado (RCC). A liquidação do banco ocorreu em 18 de novembro de 2025, devido a uma grave crise de liquidez e violações às normas do sistema financeiro nacional. A operação do cartão Credcesta, gerido pela PKL One, foi firmada pela Secretaria de Estado de Administração de MS, mesmo após a constatação de que a empresa não fazia parte da lista de instituições financeiras do BC.

Convênios e Renovação Controversos

O convênio nº 5/2025, que renovou o credenciamento da PKL One até 10 de março de 2027, foi assinado por Frederico Felini, Ana Paula de Almeida Pithon e Andrea Lima Novaes. Entretanto, não há registro de que a Secretaria de Administração tenha verificado a regularidade da empresa antes da assinatura dos convênios. A renovação do convênio ocorreu mesmo com o histórico de fraudes e ações judiciais já documentadas.

Impacto nos Servidores Públicos

Servidores públicos idosos, com pouca compreensão financeira, são os mais afetados. Muitos contrataram empréstimos por telefone, sem entender os termos. Os descontos em folha, que deveriam amortizar as dívidas, não estão cumprindo essa função. Um exemplo é o caso de uma servidora aposentada que tem dois contratos do Credcesta, com descontos que consomem quase metade de sua renda líquida.

Além disso, a PKL One declarou não possuir documentos de contratação, transferindo a responsabilidade ao Banco Master, que já foi liquidado. Os contratos em questão continuam a gerar descontos, sem que os servidores tenham acesso a informações claras sobre suas dívidas.

Opinião

A situação dos servidores em Mato Grosso do Sul revela a necessidade urgente de uma revisão nos processos de contratação e fiscalização das instituições financeiras que atuam no estado, para evitar que casos como o da PKL One se repitam.