Economia

Governo brasileiro teme inflação com guerra no Irã e preço do petróleo dispara

Governo brasileiro teme inflação com guerra no Irã e preço do petróleo dispara

A guerra no Irã já está impactando diretamente a economia brasileira. O cenário que parecia promissor para o primeiro trimestre de 2026 sofreu um revés abrupto com a escalada militar no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Israel em ataques coordenados contra o Irã. No dia 9 de março de 2026, o preço do barril de petróleo ultrapassou a barreira dos US$ 100, atingindo US$ 119,50 para o Brent, a principal referência internacional.

A alta no preço do petróleo já era esperada pelo governo brasileiro, que havia alertado sobre os impactos inflacionários que poderiam surgir caso o preço do barril superasse os US$ 100. Com essa nova realidade, a inflação de custos ameaça o poder de compra das famílias brasileiras, e o Banco Central se vê diante de um dilema que pode adiar o início do ciclo de cortes na Selic.

Inflação e aumento de custos

O impacto da crise no Oriente Médio se reflete rapidamente nos combustíveis. Segundo André Braz, coordenador de índices de preços do FGV Ibre, as oscilações internacionais afetam diretamente o bolso do consumidor. A inflação, que já apresentava uma tendência de queda, pode ser interrompida ou até revertida devido a essa alta.

Além dos combustíveis, o aumento do preço do petróleo afeta a cadeia produtiva de diversos setores, especialmente o agronegócio. O Brasil, que importa entre 80% a 85% dos fertilizantes que consome, está vulnerável a essa situação. Com a interrupção de plantas de gás no Catar devido a ataques, o preço da ureia saltou mais de 10% em poucos dias. Essa alta nos fertilizantes eleva o custo do produtor em cerca de 5% para culturas como soja e milho.

Reunião do Copom e a Selic

A reunião do Copom nos dias 17 e 18 de março de 2026 se torna ainda mais crítica. Antes do conflito, a expectativa era de um corte de meio ponto percentual na taxa de juros Selic, mas agora analistas projetam que essa redução pode ser menor ou até mesmo que a Selic permaneça inalterada. A alta do petróleo acima de US$ 100 reduz o espaço para uma flexibilização mais intensa nas taxas de juros.

Impactos para a Petrobras e o mercado

Para a Petrobras, a alta no preço do petróleo representa tanto oportunidades quanto riscos. Enquanto as receitas em dólar melhoram, a defasagem nos preços internos gera pressão política para ajustes. A empresa enfrenta um dilema: reajustar os preços e arriscar a insatisfação popular ou manter os preços baixos e comprometer a lucratividade.

O impacto final dependerá de como a Petrobras reagirá a essas pressões e de quanto tempo os preços do petróleo permanecerão elevados. Além disso, o real pode se beneficiar da crise, com investidores buscando diversificação fora dos EUA, mas o dólar ainda é projetado a R$ 5,55 no final de 2026.

Opinião

O cenário atual exige cautela e planejamento estratégico por parte do governo e das empresas, uma vez que os efeitos da guerra no Irã podem se prolongar e afetar a economia brasileira de forma significativa.