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Galeria Ocupá de Jonathan Gomes leva arte periférica a mercado de R$ 3,1 bilhões

Galeria Ocupá de Jonathan Gomes leva arte periférica a mercado de R$ 3,1 bilhões

As luzes e sons do Complexo do Chapadão, na zona norte do Rio, agora estão presentes no Palácio Gustavo Capanema, no centro da cidade, com a exposição “Sol da meia-noite”, da artista visual Thaís Iroko. Autodidata, Iroko começou sua trajetória em 2017 pelo grafite e hoje explora a memória, o território e a cultura do funk através de suas obras. A mostra, que ficará em cartaz de setembro a novembro de 2026, reúne 25 pinturas e traz referências da vida noturna na periferia.

A produção executiva da exposição é assinada pela Ocupá, uma galeria fundada em 2024 por Jonathan Gomes, que nasceu em Honório Gurgel e cresceu no Chapadão. A Ocupá já realizou sete exposições em cerca de dois anos, reunindo cerca de 120 artistas e vendendo mais de 70 obras. Gomes afirma que a proposta da galeria é ampliar a circulação de artistas das periferias no circuito de arte contemporânea.

Impacto da Ocupá no Mercado de Arte

O mercado brasileiro de arte movimentou impressionantes R$ 3,1 bilhões em 2025, conforme dados da Act Arte, embora tenha registrado uma queda de 5,5% em relação ao ano anterior. Apesar desse montante, não há informações claras sobre quanto desse valor chega a artistas periféricos. De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact) e pela ApexBrasil, 58% das galerias entrevistadas reportaram vendas anuais de até R$ 5 milhões.

A Ocupá não apenas representa um espaço de exposição, mas também um ponto de encontro para artistas que muitas vezes não têm acesso a grandes galerias. Em 2025, a galeria participou da feira Fargo, em Goiânia, e da Rotas Brasileiras, organizada pela SP-Arte em São Paulo. Além disso, criou o Ocupalab, um projeto que levou 14 artistas da Baixada Fluminense e da zona oeste do Rio à capital paulista para visitar museus e galerias.

Artistas em Foco

Um dos destaques da cena é Tayná Uràz, artista nascida em Petrópolis, que investiga ancestralidade e território. Sua produção abrange fotografia, desenho e audiovisual, incorporando elementos naturais. Tayná já expôs em instituições renomadas e sua trajetória exemplifica como espaços independentes podem oferecer visibilidade e oportunidades para artistas periféricos.

Gomes, da Ocupá, expressa a intenção de avançar na representação de artistas selecionados, acompanhando suas carreiras e buscando novas oportunidades. A ideia é garantir que a porta aberta pela exposição não se feche após a retirada das obras, mas que se converta em novas encomendas e vendas.

Opinião

A Ocupá representa uma iniciativa vital para diversificar o cenário artístico brasileiro, promovendo a inclusão de vozes periféricas em um mercado que, embora robusto, ainda carece de representatividade.