O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que as críticas ao Pix são uma “desculpa” dos Estados Unidos para justificar as tarifas impostas ao Brasil. Durante uma coletiva de imprensa realizada em 16 de outubro, Galípolo destacou que o sistema de pagamentos instantâneos é um exemplo claro de como os argumentos contra ele são infundados.
Justificativas dos EUA e Crescimento do Cartão de Crédito
Segundo Galípolo, as justificativas inicialmente apresentadas pelos EUA estavam ligadas à balança comercial, mas foram alteradas ao longo do tempo. Ele comparou essas críticas à tentativa de responsabilizar uma infraestrutura pública pelos impactos em modelos de serviços mais antigos. “Seria como dizer que a criação do saneamento básico prejudicou a receita de quem tem caminhão-pipa”, explicou.
O presidente do Banco Central também rebateu a ideia de que o Pix prejudicou as empresas de cartões de crédito. Na verdade, o mercado de cartões cresceu 150% desde a implementação do sistema, enquanto cheques e dinheiro físico perderam espaço. Galípolo enfatizou que o Pix reduziu custos de transação e beneficiou consumidores, empresas e o setor público.
Reconhecimento Internacional e Cooperação Técnica
Galípolo destacou que o Pix é reconhecido internacionalmente como uma referência para outras autoridades monetárias. O Banco Central já assinou termos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais interessados em desenvolver sistemas semelhantes. Países como Estados Unidos, China, Índia, Singapura e regiões da Europa já adotaram ou estudam mecanismos parecidos.
O presidente do BC reafirmou que o sistema brasileiro continuará a ser gratuito, seguro e instantâneo, preservando suas características centrais. Ele também negou que os EUA tenham proposto a transferência da gestão do Pix para outra entidade.
Críticas e Futuro do Sistema de Pagamentos
Galípolo argumentou que a infraestrutura de pagamentos deve ser pública e aberta a todos os participantes do mercado, o que favorece a concorrência e a inclusão financeira. Ele alertou que um sistema controlado por um participante privado poderia restringir o acesso e gerar cobranças indevidas.
Ele concluiu que a experiência internacional reforça a posição do Brasil sobre os sistemas de pagamentos instantâneos, afirmando que o Pix é um modelo que aponta para o futuro.
Opinião
As declarações de Galípolo ressaltam a importância do Pix como uma inovação no sistema financeiro brasileiro, desafiando críticas externas e defendendo a soberania do país em suas decisões econômicas.





