A equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL) está preparando uma proposta de emenda à Constituição, conhecida como Super PEC, que visa cortar até R$ 200 bilhões em gastos primários do Orçamento. Essa proposta surge como uma resposta ao desequilíbrio fiscal, em contraste com a PEC da Transição de Lula, que autorizou despesas adicionais de R$ 170 bilhões em 2022.
A Super PEC, que pode ser apresentada antes da posse de Flávio, busca melhorar o resultado primário do país, representando cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A proposta inclui até dez medidas que serão negociadas no Congresso. A expectativa é que a aprovação rápida do pacote possa reduzir o prêmio de risco do país e a curva de juros futuros.
Fim da reeleição e sucessão planejada
Outro ponto importante na estratégia de Flávio é a intenção de acabar com a reeleição presidencial, o que é visto como um “super trunfo” para facilitar a aprovação do ajuste fiscal. Ao sinalizar que não disputará a presidência em 2030, Flávio busca transmitir ao Congresso que está disposto a arcar com o custo político das reformas.
A construção de uma ponte para Tarcísio de Freitas (Republicanos) como seu sucessor também faz parte do plano. Embora Tarcísio tenha sido um dos favoritos para a presidência, a sucessão não é consenso entre aliados, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, indicou que Jair Bolsonaro poderia ser um candidato nas eleições de 25 de outubro de 2026.
Cortes na máquina pública e ativos da União
A Super PEC de Flávio se concentrará em cortes na máquina pública, evitando impactos na Previdência e em benefícios sociais. A proposta inclui uma reforma administrativa, eliminação de ministérios e revisão de despesas do Estado. A equipe econômica estima que a União possui cerca de R$ 6 trilhões em ativos, que poderão ser utilizados para reduzir a dívida bruta.
Com a Super PEC, Flávio Bolsonaro busca não apenas um ajuste fiscal, mas também um legado político, ao mesmo tempo em que prepara o terreno para a próxima geração de líderes do PL.
Opinião
A proposta de Flávio Bolsonaro pode representar uma mudança significativa na política fiscal do Brasil, mas sua viabilidade dependerá da capacidade de negociação no Congresso e da aceitação pública das medidas propostas.





