A Fitch rebaixou o rating nacional do Banco Digimais para ‘CCC(bra)’, anteriormente ‘BB+(bra)’. A decisão da agência de risco reflete a percepção de que a margem de segurança do banco é muito baixa, tornando a quebra da instituição e/ou um calote nos seus compromissos uma possibilidade real. Essa avaliação é impulsionada por incertezas consideráveis sobre o perfil financeiro do Digimais.
Além do rebaixamento, a Fitch anunciou que parou de realizar o rating do banco, devido a restrições significativas que dificultam a avaliação, como a ausência de informações atuais e a limitada visibilidade sobre a estratégia do banco. A agência destaca que a capacidade do Digimais de manter suas operações sem suporte é altamente vulnerável a uma deterioração do ambiente de negócios e econômico.
Desafios e Mudanças Estruturais
A Fitch aponta que a falta de informações impede uma avaliação consistente sobre a posição de capital do banco, sua liquidez e estratégias futuras. Essa perda de visibilidade ocorre em meio à reformulação do modelo de negócios do Digimais, à deterioração de seus resultados e a uma disputa judicial envolvendo um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC).
O relatório também menciona mudanças relevantes na governança corporativa do banco, como a substituição do CEO e a destituição do conselho de administração, o que reduz a previsibilidade sobre a execução de sua estratégia e a capacidade de estabilizar o desempenho financeiro.
Possível Aquisição pelo BTG
Em abril, foi anunciado que o BTG havia celebrado documentos vinculantes para aquisição do controle acionário do Digimais. Contudo, a conclusão da operação depende de aprovações regulatórias, incluindo do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Fitch não possui detalhes adicionais sobre essa transação.
Na ocasião, o BTG destacou que a conclusão da operação estava condicionada a um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para facilitar a transação. Essa operação será a primeira após as mudanças implementadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no estatuto do FGC em janeiro, que exige um leilão e permite outras ofertas.
Fontes indicam que o FGC está exigindo uma série de documentações do Digimais e do BTG para avançar nas negociações, mas ainda não se sabe se e quando o eventual empréstimo será liberado. Com essas dificuldades, o interesse do banco de André Esteves parece ter diminuído, segundo as fontes. Um interlocutor comentou que o BTG esperava um apoio e uma aprovação mais rápida do Banco Central.
Opinião
A situação do Banco Digimais é um alerta sobre a importância da transparência e da governança no setor financeiro, especialmente em tempos de incerteza.





