A Fitch Ratings emitiu um alerta sobre as consequências do fim da escala 6×1, que começará a ser discutido em 15/04/2026. Segundo a análise, a possível aprovação da mudança e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas podem resultar em uma queda significativa na rentabilidade do varejo brasileiro.
A estimativa da Fitch indica que o Ebitda das empresas poderá cair entre 10% e 15%, além de uma compressão de margem de até 200 pontos-base, caso não sejam implementadas medidas compensatórias. O varejo já enfrenta um cenário desafiador, com crescimento econômico lento e consumo pressionado.
Impactos e Reações do Setor
O relatório da Fitch também menciona que o aumento dos custos trabalhistas pode pressionar o caixa das empresas, especialmente nas que operam com menor flexibilidade. Os segmentos mais vulneráveis incluem farmácias, varejo de moda e restaurantes, que operam em três turnos e têm pouca margem para ajustes.
O fim da escala 6×1 é uma das principais propostas da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A discussão começará na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, mas já gerou reações negativas do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a medida pode reduzir o PIB em 0,7%, o que equivale a R$ 76,4 bilhões por ano, e pode levar a um aumento da inflação e do desemprego.
Manifesto e Críticas
Um manifesto assinado por 463 entidades empresariais expressa preocupações sobre os efeitos da mudança, afirmando que ela pode resultar em perda de empregos e aumento da inflação. O presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou duramente a discussão, afirmando que a aprovação neste momento é um “erro político” devido à pressão eleitoral.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) também reforçou a necessidade de um diálogo mais profundo antes de qualquer avanço, destacando os possíveis impactos sobre empresas e consumidores.
Opinião
A discussão sobre o fim da escala 6×1 revela a complexidade entre a necessidade de modernização das relações de trabalho e os riscos econômicos que podem surgir, exigindo um debate responsável e fundamentado.





