O futebol, como microcosmo da sociedade, reflete as transformações geopolíticas ao longo do tempo, e a Copa do Mundo é um exemplo claro disso. No próximo Mundial, que ocorrerá em 2026, o evento contará com 48 seleções, um número quase quatro vezes maior do que as 13 seleções que participaram da primeira Copa, em 1930, no Uruguai.
O crescimento da Copa do Mundo não é recente. Em 1954, o torneio passou a ter 16 seleções, e esse número se manteve até 1978, quando o formato foi alterado para 24 seleções na Copa da Espanha, em 1982. Essa mudança teve a influência de João Havelange, presidente da Fifa entre 1974 e 1998, que prometeu aumentar a participação de países no torneio como parte de sua plataforma política.
O impacto da descolonização
A expansão da Copa do Mundo está intimamente ligada ao contexto geopolítico do pós-Segunda Guerra Mundial. O processo de descolonização entre os anos 1950 e 1970 permitiu que muitos países africanos e asiáticos se filiassem à Fifa, aumentando o número de membros da entidade de 74 filiados em 1950 para 143 em 1974. Essa mudança propiciou a pressão por mais vagas no torneio, refletindo a nova dinâmica global.
O aumento para 32 seleções em 1998 também foi resultado de um novo contexto, agora ligado a aspectos comerciais e financeiros, que transformaram a Copa em um produto global. Joseph Blatter, braço direito de Havelange, foi fundamental nesse processo, promovendo o Programa de Desenvolvimento Técnico, que redistribuiu recursos da Fifa para as federações.
Os números atuais da Fifa
Atualmente, a Fifa conta com 211 filiados, número que se manteve estável desde 2016. Neste ciclo para a Copa do Mundo de 2026, a entidade anunciou a distribuição de 1,05 bilhão de dólares para suas federações, com cada uma recebendo 5 milhões de dólares por ano. Essa quantia é significativa para federações menores, como as de Curaçao e Haiti, mas pode ser considerada modesta para gigantes como o Brasil.
Opinião
A expansão da Copa do Mundo para 48 seleções representa um reflexo das mudanças sociais e políticas, mas também levanta questões sobre a sustentabilidade e a competitividade do torneio.





