Futebol

Fifa enfrenta crise na Ásia enquanto 30 seleções avançam na Copa do Mundo

Fifa enfrenta crise na Ásia enquanto 30 seleções avançam na Copa do Mundo

Se o centro de gravidade da economia mundial está se deslocando para a região da Ásia-Pacífico, o centro do futebol continua firmemente ancorado no Atlântico. Dos 32 países classificados para a fase de mata-mata da Copa, 30 são da área atlântica. A falta de competitividade do futebol asiático, com apenas dois classificados, continua dificultando a guinada da Fifa para a Ásia.

Quando ocorrer, essa guinada pode afetar a América do Sul. Em 2011, o governo Barack Obama divulgou uma revisão da estratégia de política externa dos EUA que previa um “reequilíbrio” das prioridades americanas, conhecida como “guinada para a Ásia”. Essa iniciativa reconhecia que o futuro da economia e da geopolítica global estava se deslocando da região do Atlântico para a região do Pacífico.

Desempenho Fraco das Seleções Asiáticas

Uns poucos números explicam essa mudança de foco. A Ásia concentra quase 60% da população mundial e a fatia do continente no PIB global cresceu de 20,3% em 1980 para 34,67% em 2025, segundo dados do FMI. É a economia mais vibrante do planeta.

O poderio econômico da Ásia já é perceptível na própria Fifa. Dos seus sete principais patrocinadores, quatro são asiáticos: a saudita Aramco, a coreana Hyundai/Kia, a chinesa Lenovo e a Qatar Airways. Seguindo o dinheiro, a Fifa já realizou duas Copas do Mundo na Ásia neste século: 2002 (Japão/Coreia) e 2022 (Catar).

Ao juntar América do Sul, Europa e África como sedes da próxima Copa, a Fifa conseguirá voltar para a Ásia em 2034, com a Copa da Arábia Saudita. No entanto, essa guinada da Fifa para a Ásia esbarra na falta de competitividade atual das seleções asiáticas.

Comparações com Outras Regiões

O continente classificou 9 equipes para a Copa, mas apenas duas avançaram para a fase eliminatória: Japão e Austrália (que joga pela Ásia). Em comparação, a África, que iniciou a Copa com 10 seleções, classificou 9 para a fase eliminatória. A América do Sul classificou 5 de 6, enquanto a Europa conseguiu 12 de 16 e a Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) 3 de 6.

Esse desempenho asiático fraco dificulta para a Fifa conceder mais vagas na Copa para a Ásia. A região, cuja confederação tem 47 países-membros, possui apenas 9 vagas na Copa. Em comparação, a confederação sul-americana, com um décimo da população asiática e apenas 10 países, tem 6 vagas.

Propostas e Resistências

Em algum momento, caso a qualidade do futebol asiático evolua, é provável que uma das vagas da América do Sul seja cedida para a Ásia. Antevendo esse risco, a Conmebol já sugeriu ampliar o número de países na Copa, de 48 para 64. A proposta, porém, enfrenta muita resistência e dificilmente vai prosperar.

Opinião

A situação do futebol asiático é um reflexo das dificuldades enfrentadas pelas seleções em se tornarem competitivas em um cenário global dominado por equipes atlânticas.