Economia

Fernanda Rocha alerta: dólar cai abaixo de R$ 5, mas riscos permanecem altos

Fernanda Rocha alerta: dólar cai abaixo de R$ 5, mas riscos permanecem altos

Pela primeira vez em mais de dois anos, o dólar caiu abaixo de R$ 5, um movimento que reflete a instabilidade do cenário global. Apesar do ambiente externo adverso, o Brasil se destaca como destino de capital estrangeiro, impulsionado por fatores como liquidez elevada e juros reais atrativos.

Fatores que favorecem o Brasil

A assessora de investimentos da Montebravo, Fernanda Rocha, em entrevista ao Times Brasil – licenciado exclusivo da CNBC, afirmou que o país reúne condições favoráveis para atrair grandes investidores internacionais. Segundo ela, o mercado financeiro brasileiro oferece liquidez suficiente para absorver volumes expressivos de capital, colocando-o em posição de destaque entre economias emergentes.

Riscos e projeções

A localização geográfica do Brasil, longe dos principais focos de tensão global, contribui para uma percepção de menor risco relativo. Além disso, o país conta com abundância de recursos naturais, como fontes de energia e terras raras, reforçando sua atratividade em um momento em que o conflito internacional pressiona o setor energético.

Fernanda alerta que essa valorização do real não deve ser interpretada como permanente. Projeções indicam que, em um cenário mais favorável, o dólar poderia recuar até R$ 4,75, mas em um ambiente adverso, a possibilidade de alta chega até R$ 6,50. “Temos mais espaço para perda do que para ganho quando olhamos essa assimetria”, afirma.

Recomendações para investidores

Diante desse quadro, a recomendação é ampliar a exposição a ativos internacionais. A especialista sugere que investidores mantenham entre 25% e 30% do portfólio em ativos dolarizados ou em outras moedas estrangeiras, aproveitando o câmbio mais baixo para construir essa posição de forma gradual. Para quem já possui investimentos no exterior, a orientação é evitar movimentos precipitados, pois a repatriação de recursos pode gerar custos elevados.

Impactos na economia doméstica

A queda do dólar também produz efeitos positivos na economia doméstica. A valorização do real contribui para conter a inflação, ao reduzir o custo de produtos importados e aliviar pressões sobre itens como combustíveis e alimentos, incluindo derivados de trigo. Esse movimento já se reflete na curva de juros, que apresentou recuo recente nos vencimentos mais longos.

Opinião

A situação atual do dólar e a valorização do real demonstram a resiliência do Brasil em tempos de incerteza global, mas é essencial que investidores permaneçam cautelosos e bem informados sobre os riscos envolvidos.