Economia

Federal Reserve sinaliza aumento de juros e provoca alta do dólar a R$ 5,19

Federal Reserve sinaliza aumento de juros e provoca alta do dólar a R$ 5,19

Em meio à turbulência provocada pelo tom mais duro do Banco Central dos Estados Unidos, o dólar voltou a aproximar-se de R$ 5,20 nesta sexta-feira (28). A bolsa de valores resistiu, garantindo a oitava sessão consecutiva de ganhos. Os mercados reagiram à sinalização mais dura do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, sobre a inflação nos Estados Unidos, que elevou as apostas de que o banco central estadunidense poderá aumentar os juros em setembro.

Mercado e Câmbio

O dólar comercial operou em alta durante praticamente toda a sessão, acompanhando a valorização da moeda estadunidense no exterior após o discurso de Warsh no simpósio de Jackson Hole, encontro anual de presidentes de bancos centrais, nos Estados Unidos. A moeda chegou a cair para R$ 5,1581 na abertura, mas ganhou força ao longo da manhã e atingiu a máxima de R$ 5,23, alta de 1,30%, por volta das 13h18. No fim do pregão, desacelerou, encerrando a semana vendida a R$ 5,196 (0,62%). Com o resultado desta sexta-feira, o dólar acumulou alta de 1,06% na semana. No ano, porém, a moeda ainda registra queda de 5,34%.

Expectativas do Mercado de Trabalho

No Brasil, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também influenciaram as expectativas para os juros. O país criou 58.568 vagas formais em julho, abaixo da estimativa das instituições financeiras. O dado reforçou a percepção de desaceleração do mercado de trabalho e aumentou as apostas de que o Banco Central poderá reduzir a Taxa Selic (juros básicos da economia) em setembro. A expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75%, com possibilidade de uma nova redução em novembro. A Selic está atualmente em 14% ao ano.

Desempenho do Ibovespa

O principal índice da B3, o Ibovespa, também encerrou o pregão em alta, embora tenha perdido força depois da divulgação do discurso de Warsh. O índice chegou a superar os 176 mil pontos no início da sessão, mas fechou aos 175.664,62 pontos, com alta de 0,30%. Foi a oitava alta consecutiva do Ibovespa. Na semana, o índice acumulou valorização de 2,71%.

Reação das Bolsas Estadunidenses

Em Nova York, os principais índices acionários encerraram a sexta-feira em baixa, pressionados pela perspectiva de uma política monetária mais restritiva do Federal Reserve. O Nasdaq foi o mais afetado, depois de avançar mais de 1% na sessão anterior. O Dow Jones, das empresas industriais, caiu 0,02%, aos 53.559,99 pontos. O S&P 500, das 500 maiores empresas, recuou 0,25%, para 7.711,73 pontos. O Nasdaq, das empresas de tecnologia, teve queda de 0,52%, aos 26.402,42 pontos. A reação dos mercados estadunidenses refletiu principalmente a perspectiva de que o Fed poderá manter uma postura mais rígida diante da inflação.

Opinião

A alta do dólar e as oscilações do mercado refletem a complexidade da economia global e as expectativas em torno das decisões do Federal Reserve.