Ex-prefeito de Penha, Aquiles da Costa, denunciou em entrevista que a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Iriri está parada, enquanto investigações sobre corrupção avançam. A obra é considerada essencial para o sistema de saneamento da cidade e, segundo Aquiles, os atrasos são significativos.
O debate público em Penha tem sido dominado pelas revelações relacionadas à concessionária AEGEA, que é responsável pelos serviços de água e esgoto no município. Aquiles afirmou que as questões de corrupção estão nas mãos da polícia, da Justiça e do Ministério Público, que conduzem investigações com delações, documentos e valores envolvidos.
Pagamento suspeito e CPI em ação
De acordo com delações premiadas homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), um suposto pagamento de R$ 4 milhões teria sido feito a um ex-prefeito de Penha, identificado como Evandro Eredes dos Navegantes, para não criar obstáculos à execução do contrato da AEGEA. Este caso está sendo investigado pela CPI da Águas de Penha, que busca esclarecer detalhes do suposto esquema de corrupção.
Aquiles comentou sobre a gravidade da situação, afirmando que receber quatro milhões em propina é um reflexo do submundo da política suja que precisa ser exposto. As delações também revelam pagamentos milionários sob investigação, incluindo:
- R$ 63 milhões em propinas relatadas entre 2010 e 2018.
- R$ 439 milhões de multa no acordo de leniência com o Ministério Público Federal.
Atrasos na obra da ETE do Iriri
A situação da ETE do Iriri é ainda mais complicada, pois Aquiles criticou a atual gestão municipal pela condução do projeto. Ele destacou que o terreno para a obra já havia sido definido por estudos técnicos e confirmado por decisão judicial em 2024, incluindo um decreto de desapropriação. Contudo, a tentativa de reavaliar a localização da estação causou atrasos no cronograma da obra, que podem resultar em multas milionárias para o município.
A CPI da Águas de Penha continua a coleta de documentos e depoimentos, enquanto o Ministério Público e outros órgãos de controle analisam as delações e os desdobramentos do caso, que pode se tornar um dos maiores escândalos de concessão de saneamento na história do município.
Opinião
É imprescindível que as investigações avancem e que a transparência na gestão pública seja priorizada, especialmente em áreas tão críticas como o saneamento básico.






