O governo brasileiro repudiou a revogação do visto da embaixadora nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciada em 4 de outubro. A decisão do governo norte-americano foi justificada pela demora do Brasil em responder à concessão de aprovação diplomática do indicado do governo Trump para a embaixada dos EUA no Brasil.
O Brasil contestou as alegações dos EUA, afirmando que são falsas. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o governo brasileiro declarou: “O Governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas”.
Justificativas e Acordos Diplomáticos
O governo brasileiro ressaltou que os EUA feriram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas ao divulgar o nome do indicado para a embaixada, afirmando que isso só poderia ser feito após a concessão da anuência do país anfitrião. A nota ainda destacou que o pedido norte-americano está em análise e que não há prazo estipulado pela convenção para a concessão do agrément.
Medidas Hostis e Relações Bilaterais
Além disso, o governo brasileiro mencionou a negativa a dois funcionários dos EUA, alegando que a presença deles no país visava questionar o sistema eleitoral brasileiro. “Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”, afirmou a nota. O episódio foi classificado como parte de uma escalada deliberada de medidas hostis contra o Brasil.
O Palácio do Planalto lembrou que autoridades brasileiras continuam sob sanções da Lei Magnitsky, impostas pelo governo dos EUA em retaliação à condenação de Jair Bolsonaro por golpe de Estado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem buscado resolver as diferenças entre os dois países e, em sua visita a Washington em maio, solicitou ao presidente Trump o levantamento das sanções individuais.
Opinião
A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti evidencia as tensões nas relações diplomáticas entre Brasil e EUA, que precisam ser cuidadosamente geridas para evitar uma escalada ainda maior.





