Internacional

EUA cortam ajuda internacional em 56,9% e impactam países pobres em 2025

EUA cortam ajuda internacional em 56,9% e impactam países pobres em 2025

O volume de ajuda internacional de países ricos para nações pobres e instituições multilaterais sofreu um corte de 23,1% na passagem de 2024 para 2025, marcando a maior redução já registrada. Em 2024, o auxílio foi de US$ 174,3 bilhões, resultando em um corte de US$ 52,4 bilhões em um ano, considerando a inflação do período. Esta é a segunda diminuição consecutiva na ajuda internacional global.

Os dados fazem parte do estudo Financiamento para o Desenvolvimento, elaborado pelo Brics Policy Center da PUC-Rio. Os pesquisadores, Isabel Rocha de Siqueira, Enzo Cosenza e Luis Ehl, analisaram informações do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD), vinculado à OCDE, que reúne os países ricos. O Brasil não faz parte dessa instituição.

Cortes drásticos e prioridades

O estudo revela que os cinco maiores doadores, incluindo os EUA, foram responsáveis por 95,7% da redução de 2024 para 2025. Os EUA cortaram sua ajuda internacional em 56,9%, representando 75,1% da diminuição total. Outros países como Alemanha (-17,4%), França (-10,9%), Reino Unido (-10,8%) e Japão (-5,6%) também reduziram seus aportes.

Essa queda coincide com o novo mandato de Donald Trump, que tem se posicionado contra o multilateralismo e redirecionado recursos para áreas como segurança energética e defesa. O estudo aponta que a ajuda oficial ao desenvolvimento (AOD) está se tornando cada vez mais seletiva, com o financiamento ao sistema da ONU caindo 27%, enquanto o apoio ao Banco Mundial aumentou 6,4%.

Impactos na Ucrânia e na África Subsaariana

Apesar da queda global, a Ucrânia se destaca como o maior recebedor, recebendo R$ 44,9 bilhões, mesmo com uma redução de 91% da ajuda dos EUA. A África Subsaariana é a região mais afetada pela diminuição da ajuda, com uma queda de 23% em 2025, totalizando US$ 29,2 bilhões. Projeções indicam uma nova redução de 11,6% para 2026.

Os pesquisadores da PUC-Rio afirmam que os cortes na ajuda externa poderiam resultar em 695.238 mortes em excesso apenas em 2025. Se a tendência continuar, até 2030, poderiam ocorrer 9.416.417 mortes.

Opinião

A redução drástica na ajuda internacional levanta preocupações sobre o futuro dos países mais vulneráveis, que dependem dessa assistência para o desenvolvimento e sobrevivência.