O comércio de rua no Brasil está enfrentando uma crise sem precedentes, impulsionada por uma transformação estrutural no comportamento do consumidor. Nos últimos cinco anos, o faturamento do e-commerce brasileiro cresceu 86,3%, passando de R$ 126,45 bilhões para R$ 235,52 bilhões entre 2020 e 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOMM).
Desafios do Comércio Físico
Com o aumento da concorrência e a pressão sobre os orçamentos das famílias, que estão endividadas em 81,6%, o comércio de rua está se reinventando para evitar o fechamento das lojas físicas. O economista Fernando Balotim afirma que a pandemia acelerou uma transformação que já estava em curso, onde o consumidor prefere a conveniência do comércio eletrônico.
Impacto dos Custos e Taxas de Juros
Além do crescimento do e-commerce, os empresários enfrentam o aumento dos custos operacionais. Os preços de locação de imóveis comerciais subiram 8,91% em 2025, impactando diretamente as despesas das lojas. Isso se soma ao fato de que o custo do capital de giro para micro e pequenas empresas varia entre 23% e 26% ao ano, o que dificulta ainda mais a situação financeira dos comerciantes.
Intenção de Compra e Mudança de Comportamento
Pesquisas indicam que a intenção de compra pela internet no Dia dos Namorados aumentou de 29,6% para 35% entre 2025 e 2026, enquanto o comércio de rua viu sua participação cair. O assessor econômico da Fecomércio-PR, Lucas Dezordi, observa que a internet e os shoppings se tornaram opções mais acessíveis e seguras para os consumidores.
Exemplo de Sucesso no E-commerce
Um exemplo positivo é o comerciante Alisan Oliveira, cuja loja de móveis viu suas vendas crescerem 50% após entrar no e-commerce. Alisan destaca que a internet permitiu alcançar novos clientes e dobrar o número de produtos vendidos, mostrando que a adaptação ao digital é uma questão de sobrevivência para os comerciantes.
Opinião
A crise no comércio físico não significa seu fim, mas sim uma oportunidade para os empresários se reinventarem e encontrarem novas formas de agregar valor, integrando o físico e o digital.





