Santa Catarina

Elera Renováveis libera água da Usina do Mimoso em meio à proliferação de plantas

Elera Renováveis libera água da Usina do Mimoso em meio à proliferação de plantas

A Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand, conhecida como Usina do Mimoso, localizada em Ribas do Bio Pardo, enfrenta um grave problema ambiental. A empresa Elera Renováveis, que controla a usina até 2029, anunciou uma liberação extra de água em 17 de julho de 2023, durante o período de estiagem, devido à rápida proliferação de plantas aquáticas no lago.

Atualmente, cerca de 18% do lago, que possui 1,5 mil hectares de extensão, está coberto por essas plantas invasoras. Embora esse percentual esteja abaixo do máximo de 25% permitido pela legislação ambiental, a situação é preocupante. A proliferação de plantas aquáticas começou em 2022 e se intensificou com a baixa vazão dos rios durante os meses secos, dificultando o controle da vegetação.

Impactos e Medidas da Elera

A Elera Renováveis reconhece que a liberação de água ocorreu em um período desfavorável. “O período seco, iniciado em abril, contribui para que as macrófitas se proliferem”, afirmou a empresa em nota. A usina tem uma capacidade de produção de energia de 29,5 MW e o lago tem 37 km de extensão, sendo historicamente utilizado para esportes aquáticos e pescarias.

Desde o início da estiagem do ano passado, a situação se agravou, levando a empresa a realizar vertimentos de água para controlar a vegetação. Embora a Elera faça a remoção mecanizada das plantas, a proliferação continua a gerar impactos operacionais, como a necessidade de limpezas frequentes nos filtros da usina.

Possíveis Causas da Proliferação

A proliferação das plantas aquáticas é atribuída ao excesso de nutrientes na água parada do Rio Pardo. A Suzano, proprietária de uma fábrica de celulose próxima, é mencionada em uma ação judicial movida por proprietários rurais, embora não haja laudo que comprove um elo direto entre a poluição do lago e os rejeitos da fábrica. A indústria despeja cerca de 180 milhões de litros de rejeitos diariamente, o que representa aproximadamente 80% do esgoto coletado na cidade de Campo Grande.

Além disso, um laudo judicial aponta que, por pelo menos três meses, o esgoto não recebeu tratamento adequado. A situação se complicou ainda mais com o rompimento do lago do Nasa Park, que trouxe um volume significativo de água rica em nutrientes para o lago da usina.

Opinião

A situação da Usina do Mimoso é um alerta sobre a necessidade de um manejo ambiental mais eficaz e a responsabilidade das empresas na preservação dos recursos hídricos.