Internacional

Donald Trump convoca 60 países para Conselho da Paz e gera temor na ONU

Donald Trump convoca 60 países para Conselho da Paz e gera temor na ONU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou convites a cerca de 60 países para integrar um novo “Conselho da Paz”, que visa a manutenção da paz e a reconstrução da Faixa de Gaza. Entre os convidados está o presidente Lula, do Brasil, que ainda está avaliando sua participação na iniciativa.

A criação do conselho gerou receios na comunidade internacional, especialmente na Europa, sobre o possível enfraquecimento do papel da Organização das Nações Unidas (ONU). Diplomatas alertam que a nova estrutura poderia se tornar uma “ONU paralela”, ignorando os princípios fundamentais da Carta da ONU.

Detalhes da Iniciativa

De acordo com informações obtidas pela agência Reuters, Trump terá um mandato vitalício como presidente do conselho. Para garantir um assento permanente, os países interessados precisarão contribuir com US$ 1 bilhão, quantia que será administrada diretamente por Trump.

Até o momento, Argentina, Hungria e Marrocos aceitaram o convite para participar do conselho. No entanto, a proposta tem gerado críticas sobre a concentração de poder e a falta de transparência, uma vez que Trump nomeou seu genro, Jared Kushner, e o conselheiro Steve Witkoff para integrar a estrutura, ambos com interesses comerciais na região de Gaza.

Reações e Preocupações

A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, destacou que a organização é a única com capacidade moral e legal de unir todas as nações. Ela expressou preocupação com o fato de que, ao questionar a eficácia da ONU, poderíamos retroceder para tempos sombrios.

O professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, também criticou a iniciativa, afirmando que ela reflete uma abordagem personalista e unilateral, concentrando poder demais na figura de Trump. Ele ressaltou que a situação humanitária em Gaza permanece dramática, independentemente de novos fóruns políticos.

Opinião

A criação do Conselho da Paz por Trump levanta questões cruciais sobre a governança global e a eficácia das instituições existentes, evidenciando a necessidade de um debate profundo sobre o futuro da diplomacia internacional.