Mato Grosso do Sul pode encontrar uma nova oportunidade para ampliar as exportações de carne bovina com a decisão do governo de Donald Trump de aumentar temporariamente a cota de importação de carne bovina magra. A medida, que entra em vigor no dia 1º de setembro e terá duração de 90 dias, acrescenta 300 mil toneladas à cota de importação sujeita à tarifa menor, sendo 100 mil toneladas por mês.
Crescimento das exportações de MS
A abertura do mercado norte-americano é de grande interesse para o Estado, que já vem aumentando as vendas de carne para os EUA. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que as exportações de produtos bovinos de MS aos Estados Unidos somaram US$ 243,3 milhões de janeiro a julho de 2023, um crescimento de 42% em relação ao mesmo período de 2022.
Composição das exportações
Mais de 50% das vendas são de carne bovina, principalmente cortes magros. Neste ano, a carne desossada congelada respondeu por US$ 212,9 milhões das exportações de MS aos EUA, enquanto a carne fresca ou refrigerada aumentou de US$ 4,6 milhões para US$ 23,2 milhões.
Oportunidade no mercado
O analista de mercado exterior Aldo Barrigosse afirma que a decisão dos EUA chega em um momento estratégico para MS, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelo Brasil no mercado chinês. Ele destaca que o Estado possui frigoríficos habilitados para atender o mercado norte-americano, o que pode beneficiar diretamente essas plantas exportadoras.
Além disso, a nova cota é especialmente favorável à comercialização de cortes mais magros, utilizados na produção de carne moída nos EUA. Barrigosse acredita que a estrutura produtiva de MS coloca o Estado em posição favorável para atender a uma possível elevação da demanda.
Expectativas e desafios
Apesar do potencial de crescimento, a nova cota não garante um aumento proporcional da receita dos frigoríficos. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) alerta que a iniciativa pode representar uma oportunidade, mas a concorrência com outros fornecedores e a exigência de preços 25% inferiores aos praticados atualmente podem limitar os ganhos imediatos.
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) vê a decisão de forma positiva, considerando-a uma grande notícia que ajudará a mitigar os efeitos do fim da cota da China para o Brasil nos próximos meses.
Opinião
A decisão de Trump pode ser um divisor de águas para o setor de carne bovina de Mato Grosso do Sul, mas o desafio de manter a competitividade em preços será crucial para o sucesso dessa nova oportunidade.





