No Dia do Bacamarteiro, a agricultora aposentada Dona Ângela, de Caruaru (PE), celebra a segurança proporcionada pela aposentadoria e a paixão por uma das tradições mais marcantes do São João nordestino.
Com 35 anos de participação nos festejos juninos, Dona Ângela é a chefe do Batalhão 27, que conta com mais de 30 integrantes. Sua paixão pela cultura do bacamarte foi inspirada por seu pai, seu Zacarias, que a ensinou a carregar o bacamarte na infância.
Tradição e liderança
Ao longo dos anos, Dona Ângela conquistou respeito em um espaço tradicionalmente ocupado por homens. Ela se orgulha de ver cada vez mais mulheres se destacando na cultura popular. “Eu nunca me vi como exceção. Sempre acreditei que a mulher pode estar onde quiser”, afirma.
A aposentadoria rural chegou após mais de três décadas de trabalho no campo, trazendo tranquilidade financeira e permitindo que ela continue participando ativamente da tradição que ama. “A aposentadoria trouxe uma segurança maior. Hoje a gente consegue comprar um remédio quando precisa, ajudar na alimentação e viver com mais tranquilidade”, destaca.
Preservação cultural
Para Dona Ângela, o bacamarte representa uma rica história, tradição e religiosidade. Antes das apresentações, o grupo reza e homenageia o santo do dia, mostrando que a tradição vai além do disparo do bacamarte.
Com um batalhão que tem mais de um século de existência, Dona Ângela se preocupa em garantir que o conhecimento e a cultura sejam transmitidos para as próximas gerações. “Eu faço questão de ensinar tudo o que aprendi. Um dia não vou estar aqui, mas quero que alguém continue contando essa história e mantendo essa tradição”, afirma.
Opinião
Dona Ângela é um exemplo de como a aposentadoria pode fortalecer a cultura local e garantir que tradições centenárias sejam preservadas, mostrando que a paixão e o amor pela cultura popular são fundamentais.





