O dólar comercial encerrou o pregão desta terça-feira em forte queda, fazendo do real a moeda de melhor desempenho diário entre as 33 divisas mais líquidas acompanhadas pelo Valor. Essa fraqueza do dólar é parte de uma tendência global, impulsionada pela inflação mais baixa nos Estados Unidos em junho.
O índice de preços ao consumidor (CPI) americano mostrou uma queda de 0,4%, superando a expectativa de queda de 0,2%. Essa informação amenizou as preocupações sobre um possível aperto na política monetária pelo Federal Reserve nos próximos meses. Ao final das negociações, o dólar comercial registrou uma queda de 1,05%, fechando a R$ 5,0777, após atingir uma mínima intradiária de R$ 5,0652.
Com essa movimentação, o dólar fechou no menor nível desde 15 de junho. O euro comercial também teve seu desempenho afetado, caindo 0,74%, a R$ 5,7982. O índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas, recuou 0,29%, a 100,95 pontos.
O cenário de alívio foi impulsionado pela redução das expectativas de aumento das taxas de juros nos EUA, que agora indicam apenas um aumento de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026. Luís Garcia, diretor de investimentos da SulAmérica Investimentos, comentou que o Brasil se beneficia dessa situação devido ao seu alto ‘carrego’ de juros, o que favorece o real em comparação com outras moedas emergentes.
Garcia também observou que a melhora nos termos de troca do Brasil, em parte devido ao aumento dos preços do petróleo, contribuiu para o bom desempenho do real, embora não tenha sido a razão principal. Ele destacou que, apesar da leitura positiva do CPI, a tendência de inflação ainda pode ser considerada frágil, especialmente com o recente aumento nos preços do petróleo.
Opinião
A recente queda do dólar e a valorização do real refletem um momento de alívio no mercado, mas a cautela permanece em relação às futuras decisões de política monetária nos EUA.





