O dólar comercial encerrou o pregão desta terça-feira (3) no maior nível de 2026, atingindo R$ 5,4871. Essa alta de 0,79% no dia reflete a cautela dos agentes de mercado em relação às sinalizações do governo sobre a política econômica no próximo mandato de Lula.
A proposta de André Lara Resende, que sugere a redução da Selic para 7,5% em até 12 meses, ganhou força nos últimos dias. A motivação para essa proposta é o elevado custo do financiamento da dívida, que Resende acredita ser mais um problema de ordem monetária do que fiscal.
O euro comercial também apresentou alta, fechando a R$ 6,1401, uma variação de 0,98%. O debate sobre a proposta de Resende preocupa os participantes do mercado, que temem que a implementação de um experimento heterodoxo possa resultar em uma reprecificação violenta dos ativos locais, impactando a credibilidade institucional e as reservas internacionais.
William Jackson, economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics, comentou sobre os riscos de turbulências financeiras, afirmando que, embora duvide que a proposta se concretize, a discussão sugere que o governo pode estar buscando evitar um doloroso ajuste fiscal necessário para estabilizar os mercados. Ele alerta que isso pode colocar em xeque o cenário-base de medidas pontuais de austeridade para melhorar o resultado primário nos próximos anos.
Jackson também aponta que, caso a política seja implementada, haverá um aumento da demanda devido aos juros mais baixos, mas isso pode levar a uma inflação mais alta e pressão sobre o real. Ele observa que as autoridades provavelmente precisarão adotar controles de capitais, pois os baixos diferenciais de juros poderiam resultar em uma fuga prolongada de capitais.
Opinião
A proposta de André Lara Resende levanta preocupações legítimas sobre a estabilidade econômica, e a resposta do governo será crucial para evitar um impacto negativo nos mercados.





