A recente valorização do Real e a entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira têm gerado expectativas positivas para o varejo. O dólar encerrou o dia 13 de abril de 2024 abaixo de R$ 5, a menor cotação desde março do mesmo ano. Na semana seguinte, o Real se valorizou ainda mais, atingindo R$ 5,10 por dólar, impulsionado por um acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã e um forte fluxo de capital estrangeiro.
Impactos Econômicos
De acordo com Higor Rabelo, economista e sócio da Valor Investimentos, a desvalorização do dólar tem um impacto direto na inflação. “Se o dólar está mais barato, você tira a pressão inflacionária do país”, afirma. Insumos agrícolas, como fertilizantes, e outros componentes industriais ficam mais acessíveis quando o Real se fortalece.
A economista Raissa Florence, sócia da Oz Capital, destaca que um real mais forte pode atrair fluxo de capital e reduzir a percepção de risco. A inflação oficial fechou 2025 em 4,26%, o menor índice desde 2018, com o grupo alimentos e bebidas registrando uma variação de apenas 2,95%, após 7,69% em 2024.
Expectativas para o Varejo
Com a entrada de capital estrangeiro em ritmo recorde de R$ 53,83 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo a consultoria Elos Ayta, as condições para um alívio nos preços de alimentos começam a se formar. No entanto, o impacto do câmbio no varejo pode demorar semanas a meses para ser sentido. O efeito primeiro chega ao produtor rural e ao importador, depois ao atacado e, por fim, ao varejo.
Florence alerta que, apesar das expectativas otimistas, o movimento ainda não é estrutural e qualquer mudança na percepção de risco pode inverter rapidamente essa tendência. Rabelo complementa que o risco de reversão está mais ligado ao cenário externo do que ao interno.
Opinião
Enquanto os consumidores aguardam por uma possível redução nos preços, a valorização do Real e a entrada de capital estrangeiro podem trazer um alívio bem-vindo para as finanças dos brasileiros.





