Política

Deputado Lindbergh Farias aciona PGR contra Campos Neto por omissão no Banco Master

Deputado Lindbergh Farias aciona PGR contra Campos Neto por omissão no Banco Master

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou, no dia 4 de outubro de 2023, uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a abertura de uma investigação criminal contra o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A acusação se baseia na suposta omissão de Campos Neto na supervisão do Banco Master.

A representação também pede a requisição de documentos internos do Banco Central relacionados à supervisão do Banco Master, além do depoimento de Campos Neto e de outros servidores envolvidos nas decisões. Até o momento, Campos Neto não se manifestou sobre a acusação.

Problemas de Liquidez e Omissão

De acordo com Lindbergh Farias, havia sinais de fragilidade financeira no Banco Master que teriam sido monitorados pelo Banco Central ao longo dos anos, sem que medidas mais rigorosas, como intervenção ou direção fiscal, fossem implementadas. O deputado argumenta que a deterioração da instituição poderia ter sido evitada se providências tivessem sido tomadas antes.

O parlamentar destacou que relatos indicam que sinais de fragilidade, especialmente relacionados à liquidez e à qualidade de ativos, já eram detectáveis antes da liquidação do Banco Master. Esses sinais, segundo ele, foram objeto de relatórios internos e alertas técnicos, o que justificaria uma investigação detalhada sobre como essas informações foram tratadas.

Norma do BC e Consequências

Na petição, Lindbergh Farias menciona uma reportagem do Estadão de abril do ano passado, que aponta que uma norma editada pelo Banco Central em outubro de 2023, durante a gestão de Campos Neto, permitiu que o Banco Master e outras instituições financeiras não contabilizassem o risco de precatórios e direitos creditórios em seus balanços. Essa norma possibilitou que o Banco Master, que tinha uma forte participação desses papéis, continuasse operando sem a necessidade de novos aportes por parte dos sócios ou a venda de ativos.

O ex-presidente do Banco Central tinha conhecimento dos problemas graves de liquidez enfrentados pelo Banco Master, mas evitou tomar medidas mais drásticas. O crescimento da instituição financeira, liderada por Daniel Vorcaro, ocorreu entre 2019 e 2024, período em que Campos Neto esteve à frente do Banco Central.

Em 7 de novembro de 2024, o Banco Master enviou uma comunicação ao Banco Central, comprometendo-se a melhorar sua saúde financeira até maio de 2025, em resposta a um ultimato da autoridade monetária. No entanto, o banco foi liquidado em novembro de 2025 pelo atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Opinião

A situação envolvendo o Banco Master levanta questões sérias sobre a supervisão financeira no Brasil e a responsabilidade dos gestores públicos em agir diante de sinais de alerta.