A delegada Anne Karine Sanches Trevisan Duarte, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), revelou detalhes alarmantes sobre uma investigação que resultou no suicídio de uma adolescente de 13 anos em Naviraí. O caso, que ocorreu neste mês, foi inicialmente tratado como suicídio, mas a delegada afirmou que se tratou de um homicídio induzido por um grupo criminoso.
Investigação e Operação Lívia
A investigação começou em 22 de julho, após a polícia descobrir que o suicídio da jovem havia sido transmitido ao vivo por plataformas de comunicação. A Operação Lívia foi deflagrada na terça-feira, com mandados cumpridos em seis locais: Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul. Ao todo, cinco adolescentes e um adulto foram identificados como autores do crime.
Os investigadores descobriram que o grupo utilizava plataformas digitais para localizar e controlar suas vítimas, praticando atos de automutilação e indução ao suicídio. A delegada destacou que os jovens, em sua maioria, eram atraídos por uma “panela” de violência, onde cada ato extremo era recompensado com a aceitação do grupo.
Práticas de Controle e Violência
Entre as práticas identificadas, estavam desafios violentos, humilhações e exposição degradante. A delegada Trevisan mencionou que esses jovens atuavam como “escravos virtuais”, especialmente com meninas, utilizando engenharia social para captar vítimas. Muitas vezes, as redes sociais eram manipuladas com fotos e identidades falsas para enganar as adolescentes.
No dia da morte da jovem, o grupo pressionou-a por cerca de duas horas, exigindo que ela cumprisse uma tarefa cruel: ferir seu próprio gato. Ao se recusar, a pressão aumentou, culminando na indução ao suicídio, que foi tratado como um “castigo” por não obedecer às ordens do grupo.
Consequências e Ações Futuras
Os envolvidos na Operação Lívia responderão por crimes de organização criminosa, homicídio qualificado e maus-tratos a animais. A delegada Trevisan também mencionou que outros casos de suicídio estão sendo investigados por possíveis ligações com esses grupos, embora não tenha revelado detalhes sobre os estados envolvidos.
Opinião
A gravidade dos atos cometidos por esses grupos online exige uma resposta urgente das autoridades e uma reflexão sobre a segurança digital de adolescentes.





