Pacientes que necessitam de intervenções como marca-passos e cardiodesfibriladores na Santa Casa de Campo Grande enfrentam esperas de até 50 dias para cirurgias que deveriam ser consideradas de emergência. A situação alarmante levou a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul a ingressar com três ações civis públicas contra a instituição.
A investigação da Defensoria revelou falhas na gestão das cirurgias cardíacas, incluindo a falta de insumos e uma concentração excessiva de procedimentos em unidades específicas. Um caso em destaque envolveu um paciente que ficou 32 dias internado aguardando um implante de marca-passo, que, após a disponibilização do dispositivo, foi realizado em apenas 45 minutos.
A defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz comentou sobre as consequências da demora, que expôs os pacientes a desgaste clínico e emocional, além de gerar custos adicionais ao sistema público de saúde. Durante uma visita ao hospital, a defensora constatou que pacientes estavam internados em leitos de UTI aguardando a cirurgia por mais de 50 dias, quando o procedimento leva entre 40 minutos e 1 hora.
Decisões e ações da Defensoria
A Santa Casa é a única habilitada pelo Ministério da Saúde para realizar esses procedimentos em Campo Grande. A defensora sugeriu duas soluções: a organização do Estado e do Município para a compra de insumos ou a desabilitação da Santa Casa e a habilitação de outra unidade, como o Hospital Universitário ou o Hospital Regional, que também realizam cirurgias.
A Defensoria informou que a busca pelo Judiciário foi a última alternativa após meses de tentativas de resolução administrativa, incluindo reuniões com gestores e participação em comitês. “As pessoas morrem, a situação se agrava, e os pacientes ficam com sequelas definitivas”, afirmou a defensora.
Audiência de conciliação
Na última quinta-feira, uma audiência de conciliação ocorreu no Fórum de Campo Grande, com a presença de representantes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e do titular da Secretaria Municipal de Saúde, Marcelo Vilela. Durante a audiência, foi decidido que pacientes de baixa e média complexidade ortopédica serão reinseridos na regulação após 48 horas sem cirurgia. A Santa Casa terá um prazo de 15 dias para apresentar dados sobre a quantidade de pacientes nessa situação.
No entanto, a falta de materiais para cirurgias cardíacas não foi discutida. A defensora espera que uma decisão do juiz seja anunciada em breve, enfatizando que um paciente não pode esperar tanto tempo em um leito de UTI quando poderia ter realizado a cirurgia rapidamente.
Opinião
É urgente que a gestão da saúde em Campo Grande encontre soluções eficazes para evitar que pacientes cardíacos continuem enfrentando longas esperas e riscos à saúde.





