A direção nacional do Democracia Cristã (DC) tomou uma decisão drástica ao abrir um processo disciplinar contra o ex-ministro Aldo Rebelo. Essa medida pode resultar na expulsão dele do partido, especialmente após Rebelo optar por manter sua pré-candidatura à Presidência e criticar o novo escolhido do partido, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.
Segundo a nota divulgada pelo DC no dia 21 de setembro, a decisão foi tomada “diante do esgotamento das diversas tentativas de resolução harmoniosa frustradas pela reiterada intransigência do recém-filiado”. O partido afirmou que as ações de Rebelo afrontam os valores e princípios da sigla.
Substituto e TSE
O partido já comunicou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a situação. A tensão aumentou após a direção do DC anunciar Joaquim Barbosa como seu novo pré-candidato à Presidência. Rebelo, por sua vez, declarou que se a situação persistisse, ele judicializaria a questão.
O dirigente do DC, João Caldas, ressaltou que não convidou Rebelo para ser pré-candidato, mas apenas “deu a oportunidade” que ele buscava. Caldas ainda afirmou que Rebelo deveria ser grato, já que ele havia passado por vários partidos antes de se filiar ao DC.
Baixas intenções de voto
Uma das razões para a troca de pré-candidato foi a baixa performance de Aldo Rebelo nas pesquisas de intenção de voto. Recentemente, ele não cresceu nas intenções de voto, e na última pesquisa, não pontuou. Em março, ele tinha apenas 1% a 2% e, em maio, caiu para 0%.
Antes da abertura do processo disciplinar, Caldas ainda cogitou a possibilidade de Rebelo assumir a vice na chapa com Barbosa, mas as pesquisas indicavam um caminho diferente. O DC já estava em conversa com dirigentes de cinco partidos para possíveis alianças, incluindo Aécio Neves, do PSDB, e Gilberto Kassab, do PSD.
Críticas e acusações
A situação se agravou após Aldo Rebelo criticar publicamente João Caldas, acusando-o de usar a candidatura de Joaquim Barbosa para se proteger de investigações relacionadas ao Banco Master. Rebelo mencionou que Caldas “teme que as investigações atinjam ele e o filho”, referindo-se ao ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas. Rebelo argumentou que essa situação levou Caldas a buscar proteção de um ex-ministro do STF.
Em resposta, João Caldas não se manifestou sobre as acusações. Já Aldo Rebelo afirmou que a decisão do DC de abrir o processo não atinge sua “honra” e que ele continuará sua pré-candidatura até a convenção partidária.
Opinião
A situação entre o DC e Aldo Rebelo reflete a complexidade da política brasileira, onde interesses pessoais e partidários frequentemente colidem, gerando crises e tensões.





