O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou sua perplexidade diante do otimismo do mercado financeiro após o primeiro turno das eleições, no qual o candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), saiu à frente do presidente Lula (PT). Durigan classificou essa euforia como uma “ilusão” e criticou as propostas econômicas da campanha adversária.
Em suas declarações, o ministro afirmou que a equipe econômica de Flávio estaria vendendo “pastel de vento” e não apresentando soluções concretas para alcançar os resultados prometidos. Ele enfatizou que comprar ilusões, como ocorreu no passado, é um erro. Durigan destacou que, ao comparar os governos, é difícil ver o governo anterior superando o atual em termos de política fiscal.
Promessas e Realidade Fiscal
Como exemplo do que considera uma ilusão, Durigan mencionou a promessa de superávit primário de 1,5% do PIB feita pela campanha de Flávio. Em contraste, o governo Lula estabeleceu uma meta mais modesta de 0,25% para o fechamento do ano. Até agosto, o Governo Central acumulou um déficit de R$ 94,9 bilhões, o que representa 0,53% do PIB em resultados negativos nos últimos 12 meses.
Durigan também criticou o que chamou de “populismo fiscal” de Flávio, que promete cortes orçamentários enquanto garante aumentos no salário mínimo acima da inflação e vinculação de benefícios sociais a este salário.
Reação do Mercado
Após o primeiro turno, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fechou em alta de quase 8% na segunda-feira (5). O dólar, por sua vez, caiu 4,12%, deixando o patamar de R$ 5 ao longo do dia. No exterior, o ETF brasileiro EWZ subiu 12,54%, refletindo um ambiente favorável para ações de bancos como Itaú, Bradesco e Santander, além de empresas como Vale, Petrobras e Ambev.
Após a repercussão dos resultados, a CNN Brasil noticiou que a campanha petista estava considerando anunciar Geraldo Alckmin (PSB) como futuro ministro da Fazenda para animar o mercado, mas o presidente nacional do PT, Edinho Silva, negou que essa possibilidade estivesse em discussão.
Opinião
A tensão entre as promessas de campanha e a realidade fiscal atual levanta questões importantes sobre a sustentabilidade das propostas apresentadas e o impacto no mercado financeiro.





