A recente proposta de contrato entre Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes levantou questões sobre o mercado de cotas de aeronaves no Brasil. O acordo previa a transferência de cotas de um jato Legacy 650 e um helicóptero EC 155 B1 como parte do pagamento de R$ 40 milhões em honorários.
Documentos analisados pela Polícia Federal revelam que, além dos honorários, outros R$ 10 milhões seriam destinados ao reembolso de despesas relacionadas aos voos. O escritório de Viviane afirmou que a proposta não foi aceita e que o único acordo firmado com o Banco Master foi extinto com a liquidação da instituição.
O que são cotas de aeronaves?
O modelo de cotas de aeronaves funciona de maneira semelhante à propriedade compartilhada de bens de alto valor. Em vez de uma única pessoa ou empresa arcar com todos os custos de compra e manutenção de uma aeronave, diferentes cotistas dividem o investimento e os custos operacionais. O Brasil é o segundo maior mercado de aviação executiva do mundo, com uma frota de 11,4 mil aeronaves e um crescimento de 20% no setor nos últimos quatro anos.
As regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estabelecem que a cota mínima para aeronaves de asa fixa é de 1/16 e para helicópteros é de 1/32. Isso permite que pessoas ou empresas tenham acesso a aeronaves de dezenas de milhões de reais sem o ônus de todo o investimento.
Aeronaves e seus valores
O Legacy 650, fabricado pela Embraer, possui autonomia de até 7.223 km e capacidade para 13 passageiros. O valor de uma unidade usada varia entre US$ 13 milhões e US$ 20,3 milhões. Já o helicóptero EC 155 B1, da Airbus, tem capacidade para até nove passageiros e velocidade máxima de cruzeiro de 287 km/h, com valor de mercado entre US$ 3,1 milhões e US$ 11,3 milhões.
Histórico de uso das aeronaves
O jato Legacy 650 utilizado por Viviane Barci e Alexandre de Moraes foi fabricado em 2012 e já foi operado por outras empresas antes de ser associado à Prime You, uma das maiores empresas do setor. A aeronave foi usada em um voo que partiu de Brasília e pousou em São Roque, SP, em julho de 2025.
Opinião
A proposta de Daniel Vorcaro levanta questões sobre a ética e a transparência nas relações entre o setor privado e figuras públicas, especialmente em um momento em que a aviação executiva está em alta no Brasil.





