Economia

Cunicultura: Brasil quase se destacou na produção de carne de coelho, mas falhou

Cunicultura: Brasil quase se destacou na produção de carne de coelho, mas falhou

A cunicultura no Brasil começou na década de 1950, quando colonos italianos trouxeram coelhos da Europa. O objetivo inicial era a produção de lápidos, filhotes usados na fabricação de vacinas contra a febre aftosa. Contudo, a carne de coelho começou a ser vista como uma alternativa promissora nos anos 1970 e 1980, em meio à busca por proteínas mais baratas que a carne bovina.

Apesar de ser uma carne rica em proteínas e ferro, a cunicultura no Brasil enfrentou resistência cultural ao consumo e a falta de uma estrutura industrial para absorver a produção. O coelho, de fácil criação e rápido crescimento, era ideal para atender a população urbana e áreas rurais de baixa renda.

Iniciativas e projetos na década de 1980

O poder público incentivou a cunicultura, com projetos como o Projeto Coelho, criado em 1980 pela prefeitura de Recife, que distribuiu animais para criação doméstica. Em 1985, o programa Nosso Coelho foi lançado no Paraná, visando a criação de 40 cooperativas que empregariam cerca de 20 mil produtores, com apoio do governo federal.

Na década de 1980, a produção de coelhos chegou a quase 1 milhão de cabeças, mas a falta de desenvolvimento na cadeia de abatedouros inviabilizou o setor. O abate anual de coelhos na União Europeia era de 326 milhões na década de 2010, com a carne de coelho sendo uma iguaria mais comum na Europa.

Desafios e o futuro da cunicultura

Com o passar dos anos, a euforia inicial se dissipou. Apesar do aumento no número de criadouros, a falta de frigoríficos especializados e o estranhamento cultural em relação à carne de coelho impediram a expansão do setor. O consumo da carne de coelho é mais popular na Europa, onde é parte da dieta mediterrânea e um dos animais mais criados para consumo.

Opinião

A história da cunicultura no Brasil é um exemplo de como o potencial pode ser perdido devido a barreiras culturais e estruturais. O coelho, com suas diversas vantagens, ainda pode ser uma solução para a segurança alimentar no país.