O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (4) interromper o ciclo de cortes e manter a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 13,75% ao ano. Esta é a primeira reunião após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a decisão foi unânime.
O Copom havia realizado cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual em março, abril, junho, agosto e setembro. Em nota, os diretores do BC afirmaram que a medida visa assegurar a estabilidade de preços e “implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.
Expectativas e Reações
A piora nas expectativas de indicadores econômicos foi confirmada pelo primeiro boletim Focus após a vitória de Lula, divulgado nesta terça (3). A estimativa para a Selic subiu de 13,25% para 13,50% ao ano para o fim de 2026, enquanto a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou de 5,19% para 5,22% em 2026, acima do teto da meta de 4,5%.
Um dia após a vitória de Lula no segundo turno, o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, resultando na perda de R$ 734 bilhões do valor de mercado das empresas listadas na B3.
Pressão Política
O Banco Central enfatizou que monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação, que pode aumentar o custo de desinflação. O contexto atual, com uma taxa Selic substancialmente contracionista e aumento das incertezas econômicas, apresenta desafios para a política monetária.
A decisão sobre a Selic ocorre em meio a pressões de Lula e de integrantes de seu governo, que defendem a redução dos juros. Lula declarou confiar em Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e afirmou que a autonomia do BC limita a capacidade do governo de conduzir a política econômica de acordo com o programa aprovado nas urnas.
Opinião
A decisão do Copom reflete um cenário econômico complexo, onde a pressão política e as expectativas de inflação se entrelaçam, exigindo uma gestão cautelosa e estratégica.





