Política

Conaq Lança Plano Emergencial e Mais de 500 Mulheres Quilombolas Pedem Justiça

Conaq Lança Plano Emergencial e Mais de 500 Mulheres Quilombolas Pedem Justiça

O lançamento do “Plano emergencial para proteção às mulheres quilombolas defensoras dos direitos humanos” ocorreu durante o encontro nacional que reúne mais de 500 mulheres de comunidades tradicionais em Gama (DF). O evento, que se estende até o dia 14 de outubro, celebra os 30 anos da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

O plano, que possui 85 páginas, destaca a necessidade de políticas públicas efetivas para garantir a proteção coletiva e territorial das mulheres quilombolas. A coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, Selma Dealdina, afirmou que o documento busca responder ao agravamento dos conflitos agrários e ambientais que afetam essas líderes.

Demandas e Iniciativas

Entre as demandas apresentadas, estão análises relacionadas a gênero e raça, direitos sociais e infraestrutura, valorização de saberes e práticas quilombolas, e superação de falhas estruturais nos programas de segurança. A iniciativa também prevê a publicação de uma cartilha pedagógica e a realização de formações integradas para fortalecer a articulação política das mulheres.

Justiça Climática e Memória

O evento, que carrega o lema “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia”, também trouxe à tona a memória de Mãe Bernadete, assassinada em agosto de 2023, e a tensão enfrentada por lideranças comunitárias. O filme documentário Cafuné, exibido durante o evento, retrata essa realidade e foi realizado por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação.

Espaço para Diversidade

O encontro também garantiu espaço para agricultoras familiares, raizeiras, benzedeiras e parteiras de diferentes regiões, refletindo a diversidade dos biomas. A coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, Cida Souza, enfatizou a importância do papel das mulheres na produção dentro dos territórios, seja na agricultura familiar, medicina tradicional ou artesanato.

Opinião

O fortalecimento das vozes quilombolas é essencial para a construção de um futuro mais justo e sustentável, onde a ancestralidade e a luta por direitos se entrelaçam.