A Companhia Brasileira de Tratores (CBT), fundada por Mário Pereira Lopes, foi um símbolo da engenharia nacional no setor agrícola, dominando o mercado brasileiro nas décadas de 1970 e 1980. Com um complexo fabril localizado em Ibaté e São Carlos, SP, a CBT produziu cerca de 111 mil tratores até 1995, oferecendo soluções que atendiam às necessidades específicas dos agricultores brasileiros.
O auge e a inovação no setor agrícola
Um dos marcos da CBT foi o lançamento do modelo CBT 2105 em 1982, que se destacou pela durabilidade e facilidade de manutenção. Este trator, equipado com um motor Mercedes-Benz OM-352, se tornou uma referência no mercado, especialmente em regiões onde a tecnologia importada falhava.
Desafios e a mudança de mercado
Com a abertura das importações na década de 1990, a CBT enfrentou uma concorrência feroz de equipamentos estrangeiros, que ofereciam tecnologia superior e preços competitivos. Essa mudança no mercado, combinada com a crise econômica e a falta de crédito, levou a um colapso financeiro que resultou na paralisação da produção em 1995.
O processo de falência e suas consequências
Em novembro de 1995, a falência da CBT foi formalizada, e o decreto de falência foi assinado em 26 de março de 1997. A demissão de 1.846 trabalhadores marcou o fim de um ciclo industrial significativo, deixando ex-funcionários em busca de alternativas, como a formação de uma cooperativa para reivindicar seus direitos trabalhistas.
Legado e desfecho do caso
Com dívidas que somavam cerca de R$ 400 milhões, a CBT viu seus ativos leiloados para liquidar passivos, enquanto a cooperativa de ex-funcionários tentava reativar a produção. No entanto, a falta de financiamento inviabilizou o projeto. Atualmente, o antigo parque industrial abriga um centro tecnológico e um museu da companhia aérea TAM.
Opinião
A história da CBT é um lembrete da importância da inovação e adaptação no setor industrial, além de destacar os desafios enfrentados pelos trabalhadores em tempos de crise econômica.





