Vídeos falsos criados por inteligência artificial e a informação de baixa qualidade substituíram as tradicionais fake news e passaram a ser a principal ameaça digital às eleições e à democracia. É o que mostra o Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado em 22 de outubro de 2023 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
O Guia considera a mudança abrupta entre 2018, ano da primeira edição, e este ciclo eleitoral. Se lá atrás os meios prioritários de circulação eram as redes abertas, como o Facebook, atualmente redes mais restritas, como o WhatsApp, são a principal via de difusão.
Desinformação e seus riscos
A desinformação, considerada um dos maiores riscos globais pelo Fórum Econômico Mundial para 2025, teve um aumento significativo na sua disseminação, tornando-se mais distribuída e com circulação simultânea em múltiplas plataformas. O documento aponta que, em termos de formato, o vídeo passou a ser o principal vetor, quase sempre acompanhado de um texto curto que ancoram e legitimam a narrativa falsa.
As inteligências artificiais generativas tiveram estreia no ciclo eleitoral de 2022, mas é esperado que este ano tenham ainda mais impacto, aliadas a ferramentas de difusão, com o direcionamento cada vez mais atrelado a perfis específicos de usuários.
Diretrizes para o combate à desinformação
O Guia aborda diretrizes para o combate à desinformação e discute como ferramentas avançadas, como as deepfakes e os modelos de linguagem conversacionais, funcionam. A publicação também reúne orientações para que o cidadão não se torne vítima nem propagador de conteúdos falsos ou enganosos.
Além de analisar as estruturas dos meios de divulgação e das redes, o estudo destaca o papel dos comunicadores dessas mídias, os influenciadores, reconhecendo seu papel de destaque, mas alertando para a diferença fundamental em relação ao jornalismo, que não segue um código de ética.
Opinião
A crescente desconfiança em instituições como a imprensa e o Judiciário, somada à polarização política, exige uma reflexão urgente sobre a integridade da informação e a proteção da democracia.





