O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou, em 22 de outubro de 2023, a identificação de alterações indevidas nos dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões. O órgão registrou uma tentativa de expedição de mandado de prisão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Este incidente não é isolado, uma vez que Moraes já havia sido alvo de uma invasão hacker anterior, onde o hacker Walter Delgatti Neto expediu, a mando da então deputada Carla Zambelli (PL-SP), um mandado de prisão falso contra o ministro. Ambos foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal pelo caso, onde um trecho do documento falso dizia: “Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o ‘L'”.
O CNJ esclareceu que o episódio comunicado recentemente não se trata de uma invasão hacker, mas de um uso indevido do sistema. Segundo a nota do órgão, as ações foram realizadas por meio de credenciais de acesso comprometidas, pertencentes a usuários de tribunais, resultantes de roubo de credenciais. O CNJ afirmou que não houve invasão ou comprometimento de seus sistemas e que a alteração não resultou na expedição de mandados contra as autoridades mencionadas.
Delgatti, que cumpre pena de oito anos e três meses pela invasão dos sistemas do CNJ, teve sua progressão para o regime semiaberto autorizada por Moraes. Enquanto isso, Carla Zambelli está presa na Itália, aguardando a decisão sobre sua extradição ao Brasil. O julgamento de Zambelli, que já foi adiado por quatro vezes, ocorreu nesta terça-feira, 20.
Opinião
O incidente revela a vulnerabilidade dos sistemas judiciais e a necessidade urgente de reforço na segurança cibernética para evitar abusos e fraudes.





