Economia

CNI e Fiesp criticam Banco Central por corte tímido da Selic a 14% ao ano

CNI e Fiesp criticam Banco Central por corte tímido da Selic a 14% ao ano

Entidades representativas da indústria brasileira manifestaram descontentamento com o Banco Central após o corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, que agora está em 14% ao ano. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) foi considerada tímida e insuficiente para estimular novos investimentos e impulsionar o crescimento da economia.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que a Selic permanece 3,6 pontos percentuais acima da taxa de equilíbrio da economia, estimada em 10,4%. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que não há justificativa para manter a taxa em um nível tão elevado, que prejudica as empresas e reduz o poder de compra das famílias.

Críticas das Entidades

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também criticou a decisão, afirmando que o crédito para as empresas continua excessivamente caro. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ressaltou que os financiamentos corporativos superam 30% ao ano, o que dificulta a modernização da indústria e a ampliação da produção. Ele enfatizou que, sem resolver a questão da dívida pública, o Brasil não conseguirá crescer de forma sustentada.

Justificativas do Copom

O Copom justificou o corte moderado da Selic pela necessidade de controlar a inflação em um ambiente de incertezas. A próxima decisão sobre a taxa de juros dependerá da evolução dos indicadores econômicos, com o comitê buscando assegurar a convergência da inflação à meta. O Banco Central destacou que seguirá monitorando a política fiscal e os riscos que podem afetar a trajetória dos preços antes de definir os próximos passos do ciclo de redução dos juros.

Desde o início do ciclo de queda em março de 2026, a Selic foi reduzida gradualmente, após ter permanecido em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. O Banco Central ressaltou que a redução lenta reflete a necessidade de manter a inflação sob controle, considerando também a desaceleração da economia e a volatilidade nos mercados internacionais.

Opinião

A crítica das entidades industriais ao Banco Central reflete a urgência de um ambiente econômico mais favorável para o crescimento, que depende de taxas de juros mais acessíveis.