A confiança dos empresários do comércio brasileiro caiu ao menor patamar do ano em agosto, segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O indicador ficou em 101,3 pontos, uma queda de 0,6% em relação a julho, refletindo a crescente preocupação com as condições atuais da economia.
O principal motivo para a piora foi a avaliação das condições atuais, que recuou 2,5% no mês, enquanto a intenção de investir caiu 0,3%. A alta taxa básica de juros, atualmente em 14%, é um dos fatores que mais impactam essa confiança. “A cada mês, os números mostram o que também ouvimos em eventos por todo o Brasil: há expectativa e há força de vontade para trabalhar mais e melhor; porém, os custos elevados impedem que o empresário aumente os investimentos”, afirma José Roberto Tadros, presidente da CNC.
Expectativas e Inadimplência
Apesar da queda geral, o indicador de expectativa futura subiu 1,1% na avaliação da economia, alcançando 128,2 pontos. Esse otimismo levou os comerciantes a projetar um aumento de 0,6% nas contratações e de 0,1% nos estoques. Contudo, a intenção de investir em outras estruturas das empresas caiu 1,8%.
O cenário de inadimplência é alarmante, com dados da Serasa Experian indicando um endividamento recorde de 9,1 milhões de CNPJs negativados em junho, totalizando dívidas em atraso de R$ 232,9 bilhões. “O patamar recorde de empresas inadimplentes é reflexo do aperto monetário causado pela alta taxa Selic, alvo de nossos alertas há meses”, destaca Tadros.
Segmentos Impactados
Nos segmentos do comércio, a percepção sobre as condições atuais caiu em todos os grupos, com maior impacto nos produtos de maior valor. As quedas foram de 0,4% em roupas, calçados, tecidos e acessórios; 3,5% em supermercados, farmácias e cosméticos; e 4,6% em eletrônicos, eletrodomésticos, móveis e veículos. Por outro lado, o comércio de bens não duráveis apresentou sinais mais positivos, com alta de 0,3% na expectativa futura.
Opinião
A situação atual do comércio reflete a complexidade do cenário econômico, onde a confiança dos empresários é abalada por fatores como a taxa de juros e o alto endividamento, exigindo atenção e ações efetivas para a recuperação.





