Após o anúncio de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o governo chinês expressou disposição para ampliar o diálogo com o Brasil e outros países do Sul Global. O objetivo é defender o sistema multilateral de comércio e minimizar os impactos de medidas protecionistas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, classificou a medida adotada por Washington como “lamentável” e afirmou que guerras tarifárias não produzem vencedores.
Relação estratégica para o comércio brasileiro
A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009, respondendo por uma parcela significativa das vendas externas nacionais. A relação bilateral começou a ganhar relevância econômica nos anos 2000, impulsionada pela rápida expansão da economia chinesa e pela crescente demanda por alimentos, energia e matérias-primas. Em 2003, a corrente de comércio entre os dois países somava apenas US$ 6,6 bilhões, mas avançou rapidamente nos anos seguintes.
Comércio bate recorde histórico
O fortalecimento da parceria levou a corrente de comércio bilateral a atingir um recorde de US$ 171 bilhões em 2025. A soja permanece como o principal item exportado pelo Brasil para a China, com cerca de 70% das exportações brasileiras de soja tendo como destino o país asiático. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para a China alcançaram US$ 58,3 bilhões, enquanto as importações da China para o Brasil chegaram a US$ 38,5 bilhões.
Espaço para crescer, mas sem substituir os EUA
Apesar da disposição da China para aprofundar a cooperação econômica, a capacidade de absorver perdas provocadas pelas tarifas dos EUA é limitada pela própria estrutura do comércio bilateral. O mercado chinês concentra suas compras em commodities agrícolas, minerais e energéticas, o que reduz a margem para uma expansão acelerada de vendas em outros segmentos. Além disso, a composição das exportações para os dois mercados não é equivalente, dificultando uma simples transferência dos fluxos comerciais.
Opinião
A relação comercial entre Brasil e China se mostra cada vez mais crucial, mas a dependência de commodities pode limitar o crescimento em outros setores.





