A China projeta uma produção de robôs humanoides que deve ultrapassar as 100 mil unidades em 2026. Esse volume de fabricação é expressivo e suficiente para povoar uma cidade inteira de médio porte. O anúncio oficial ocorreu durante uma conferência sobre inteligência artificial realizada no país.
Os dados detalhados pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China revelam um avanço rápido no setor de inteligência artificial. A estimativa oficial aponta que o núcleo da indústria de IA e “IA física” (robôs com IA) do país superou a marca de ¥ 1,2 trilhão em 2025. Os investimentos atuais focam na evolução de grandes modelos de IA, agentes inteligentes e chips especializados.
Regulamentação e padrões técnicos
Além da produção dos robôs, o governo chinês concluiu o desenvolvimento de quase 200 padrões técnicos fundamentais para regulamentar a área. Essa estrutura confere maior segurança para as empresas locais expandirem os negócios. O ecossistema de inteligência artificial também registra forte crescimento com plataformas colaborativas de código aberto.
Modelos populares e inovações
O Unitree G1 é o modelo de humanoide mais popular até o momento. Atualmente, as companhias chinesas lideram o ranking global em downloads de grandes modelos de IA. A comunidade especializada AtomGit já ultrapassou a marca de 11 milhões de usuários registrados, reforçando a expansão do ecossistema de inteligência artificial no país.
Desafios e concorrência global
A corrida pelos robôs humanoides acelera em diversos países. Empresas como Hyundai, BMW e BYD já testam ou utilizam essas máquinas em atividades industriais, principalmente para executar tarefas repetitivas ou consideradas perigosas. Na Coreia do Sul, a estratégia da Hyundai enfrenta resistência dos funcionários, que aprovaram uma greve após a empresa anunciar planos para levar o robô Atlas, da Boston Dynamics, às linhas de produção, alegando preocupação com impactos nos empregos e na segurança dos trabalhadores.
Na China, fabricantes também ampliam os investimentos na tecnologia. A XPeng pretende iniciar a produção em massa de robôs humanoides até o fim de 2026 e colocar os primeiros modelos para atuar como atendentes e consultores em lojas físicas no ano seguinte. A empresa chamou atenção ao apresentar robôs com feições mais femininas, uma proposta diferente da maioria dos robôs humanoides atuais, que costuma adotar aparência andrógina ou traços masculinizados. Segundo a montadora, toda a tecnologia embarcada nos robôs, incluindo chips, sistemas operacionais e componentes mecânicos, é desenvolvida internamente.
Opinião
A rápida evolução da tecnologia de robôs humanoides na China levanta questões importantes sobre o futuro do trabalho e a regulamentação necessária para garantir a segurança dos trabalhadores.





