As projeções do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) indicam um aumento significativo nas chances de formação de um Super El Niño em 2026. A temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 pode atingir um aumento de 3,2°C, o que acende um alerta no setor agrícola, já que o fenômeno pode trazer alterações climáticas severas.
Com 61% de probabilidade de formação do fenômeno entre maio e junho de 2026, as consequências podem ser devastadoras, especialmente em um contexto onde os produtores já enfrentam margens de lucro reduzidas devido ao aumento dos custos de insumos e ao elevado endividamento. O impacto do Super El Niño pode reverter o alívio recente na inflação de alimentos, que já é projetada em 4,89% para 2026.
Impactos climáticos e produção agrícola
O Super El Niño pode provocar chuvas intensas no Sul e estiagem no Norte e Nordeste do Brasil, resultando em um cenário de irregularidade hídrica no Centro-Oeste e Sudeste. Historicamente, eventos de El Niño têm causado quedas significativas na produção agrícola, como os 9,5% de redução na produção de grãos em 2015/2016, com o milho apresentando uma queda de 19,1%.
As alterações climáticas previstas exigem adaptações rápidas por parte dos agricultores, que precisam enfrentar a incerteza sobre a distribuição de chuvas e a qualidade do solo. A irregularidade na precipitação pode comprometer o calendário de plantio, aumentando a necessidade de investimentos em irrigação.
Consequências econômicas
O impacto do Super El Niño também se reflete diretamente nos preços dos alimentos. Com a inflação projetada em 4,89% e a possibilidade de um acréscimo de até 0,8 ponto percentual devido ao clima, a pressão nos custos de alimentos pode se intensificar. O coordenador dos Índices de Preços da Fundação Getulio Vargas, André Braz, já alertou que a situação climática é um fator determinante para o aumento dos preços.
Opinião
A possibilidade de um Super El Niño em 2026 traz à tona a necessidade urgente de estratégias eficazes para mitigar os impactos climáticos no setor agrícola e garantir a segurança alimentar no Brasil.





