A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta segunda-feira (27) que a democracia no Brasil precisa estar “fortalecida” para que “ninguém queira interferir ou fragilizá-la”. As declarações ocorreram durante participação na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói, no Rio de Janeiro, dois dias após o governo brasileiro negar vistos a dois integrantes do governo dos Estados Unidos por suspeitas de que a viagem teria como objetivo questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
A ministra destacou a importância de iniciativas voltadas ao fortalecimento da democracia e afirmou que cabe aos próprios brasileiros decidir os rumos do país. “Há que haver espaços como este, reuniões como essa, que dão a demonstração daqueles vetores, daqueles temas mais importantes para que a gente caminhe e fortaleça a democracia no Brasil e em todos os lugares do mundo, para que ninguém queira também interferir e fragilizar a nossa democracia […] somos nós que temos que falar o que é para nós no Brasil, o que nós queremos”, disse a ministra.
Na sequência, Cármen ressaltou que a participação popular é a base da democracia e reforçou a segurança do sistema eletrônico de votação. “Antes era por um rei. Hoje o povo, pela sua mão, diz o que quer”, afirmou. “Aqui na democracia, a urna brasileira precisa só de um dedo na urna eletrônica confiável, transparente e auditável, feita pelo Brasil e pelo povo.”
No último sábado (25), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) negou vistos a dois funcionários do governo americano. Segundo apurou o Valor, a decisão foi tomada após suspeitas de que a viagem teria o objetivo de levantar questionamentos sobre as urnas eletrônicas e o processo eleitoral brasileiro. Após a divulgação da medida, o Departamento de Estado dos EUA negou qualquer intenção de influenciar as eleições brasileiras. Em nota, afirmou que a visita, prevista entre 27 e 30 de julho, serviria para reuniões com autoridades, líderes religiosos e representantes da sociedade civil sobre temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.
O governo americano também classificou como “sem qualquer fundamento” a hipótese de que a missão buscasse interferir na eleição brasileira. A defesa feita por Cármen Lúcia das urnas eletrônicas também ocorre dias após o candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) ter afirmado, durante um evento com embaixadores de vários países, que as urnas brasileiras “têm a mesma origem” dos equipamentos da empresa venezuelana Smartmatic, acusada pelo governo americano de estar envolvida em um plano de fraude na eleição da Venezuela. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no entanto, já esclareceu que o Brasil não utiliza urnas fabricadas pela empresa.
Após a repercussão, a campanha do senador afirmou, em nota, que Flávio “não está questionando o sistema de votação brasileiro” e que apenas defendeu o envio de observadores internacionais para acompanhar as eleições.
Opinião
A defesa da democracia e da integridade do sistema eleitoral é fundamental para a confiança da população nas instituições.





