Economia

Brasil adota etanol e reduz impacto da crise do petróleo; veja como!

Brasil adota etanol e reduz impacto da crise do petróleo; veja como!

Iniciada com o programa Proálcool, em 1975, a infraestrutura brasileira de biocombustíveis tem se mostrado uma proteção eficaz contra os choques de preço do petróleo. O Brasil, que possui 80% de sua frota leve equipada com tecnologia flex, consegue mitigar os impactos da crise gerada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Desde o início dos ataques, em 28 de fevereiro, o preço do barril Brent subiu 73,8%, saindo de US$ 72,48 para US$ 126. Apesar de um recuo para a faixa dos US$ 100, o valor permanece elevado, cerca de 38% acima da cotação do início do ano.

O papel do etanol na economia brasileira

O Brasil se destaca como líder mundial na substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis. Com a adoção da mistura de 30% de etanol anidro na gasolina (E30) no início do ano, o país se tornou o único a implementar essa proporção em escala nacional. O aumento da mistura de etanol pode evitar a importação de 454 milhões de litros de gasolina anualmente, promovendo a autossuficiência.

Embora os combustíveis tenham pressionado a inflação no primeiro trimestre, o impacto teria sido maior sem a adoção do etanol. O diesel, por exemplo, subiu 13,9% em março, enquanto a gasolina avançou 4,59% e o etanol teve uma alta de 0,93%.

Impulsos para o setor de biodiesel

A produção de biodiesel também se mostra crucial, gerando empregos e evitando a perda de óleo de soja. Cerca de 80% da soja processada se transforma em farelo e 20% em óleo, e o biodiesel ajuda a absorver o excedente, viabilizando mais esmagamento e alimentando a cadeia de proteína animal.

O governo brasileiro anunciou a elevação da mistura obrigatória de biodiesel de 15% para 16% (B16). Essa mudança pode substituir de 700 milhões a 800 milhões de litros de combustível fóssil por ano, conforme defendido por entidades do setor produtivo.

A diversificação da matriz produtiva

O Brasil também está diversificando sua matriz produtiva de etanol, com o etanol de milho representando 28% da produção nacional. Essa diversificação é essencial para atender à crescente demanda interna e internacional, além de garantir que a produção de biocombustíveis não concorra com a produção de alimentos.

Opinião

A experiência brasileira em biocombustíveis, iniciada com o Proálcool, é um exemplo a ser seguido por outros países, demonstrando que a transição para fontes de energia mais sustentáveis é possível e vantajosa.