A recente queda das exportações brasileiras ao Golfo Pérsico, em decorrência do bloqueio no Estreito de Ormuz, expôs os impactos das tensões geopolíticas sobre a cadeia logística de alimentos congelados. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Câmara Árabe revelam que as exportações para Catar, Kuwait, Bahrein e Omã caíram 31,47% em março, totalizando US$ 537,11 milhões.
O agronegócio brasileiro, que representa cerca de 75% das vendas para a região, foi diretamente afetado, com produtos como açúcar apresentando uma queda de 43,37% e carnes de aves com uma redução de 13,8% no período. A capacidade de preservar cargas e redirecionar exportações tornou-se crucial diante da interrupção parcial das rotas tradicionais.
Reação da Indústria
Evandro Calanca, diretor-geral do Cone Sul da Emergent Cold LatAm, destacou que, apesar do impacto imediato do bloqueio, a reação da indústria brasileira foi mais rápida do que o esperado. “O Brasil nunca exportou tanto”, afirmou ele, ressaltando que o setor levou menos de um mês para reorganizar suas operações e encontrar alternativas logísticas.
Mercado de Logística Refrigerada
A alteração logística foi viabilizada pelo que Calanca denominou como câmara fria, um sistema contínuo de conservação refrigerada que garante a qualidade dos produtos. Esse sistema é essencial para a durabilidade e qualidade dos alimentos, especialmente aqueles consumidos em restaurantes e supermercados. O crescimento do mercado de logística refrigerada já ultrapassa 10% ao ano.
Desafios e Oportunidades
A mudança de rota começou durante os tarifaços impostos pelos Estados Unidos no governo de Donald Trump, levando empresas brasileiras a buscar novos mercados, como Filipinas, Hong Kong e Emirados Árabes. Apesar das dificuldades, a indústria encontrou alternativas, utilizando até mesmo transporte rodoviário em alguns trechos. Calanca enfatizou que, mesmo em rotas mais longas, não há risco de perda da qualidade dos produtos, com monitoramento contínuo de temperatura durante toda a viagem.
Opinião
O bloqueio no Estreito de Ormuz evidencia a importância de uma infraestrutura logística robusta e adaptável, essencial para o Brasil manter sua posição no mercado internacional, mesmo em tempos de crise.





