O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu nesta quarta-feira a aprovação de uma lei que retira a cidadania israelense de qualquer pessoa que difamar soldados do país. Essa declaração surge como uma resposta às críticas geradas pelo documentário “NAZA”, dirigido pelos jornalistas Yuval Abraham e Rachel Szor, que foi premiado no festival de cinema de Veneza.
O documentário, que sustenta que o massacre de civis era uma prática rotineira na ofensiva em Gaza após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, gerou forte reação em Israel. Netanyahu acusou o filme de ser uma ‘incitação chocante’ contra judeus, afirmando que ele retrata oficiais e soldados israelenses como criminosos de guerra.
Ações Legislativas e Repercussões
Netanyahu anunciou que irá avançar no Parlamento com dois projetos de lei. O primeiro visa revogar a cidadania de quem difamar soldados israelenses, enquanto o segundo propõe um aumento de 20 vezes nas indenizações por processos de difamação. “Vamos atingi-los na cidadania e no bolso, o lugar deles não é conosco”, declarou o primeiro-ministro em um vídeo nas redes sociais.
O documentário “NAZA”, que se refere ao termo militar usado para descrever baixas colaterais, foi construído a partir de entrevistas com fontes sigilosas, incluindo soldados e oficiais de inteligência. A produção do filme provocou uma onda de críticas e levou as forças armadas a considerar ações jurídicas contra os diretores.
Contexto Político e Judicial
A coalizão de governo de Netanyahu se prepara para as eleições em 27 de outubro, e a controvérsia em torno do documentário tem acirrado a disputa política. O primeiro-ministro também criticou rivais políticos por não se posicionarem firmemente contra o filme, sugerindo que isso os tornaria inadequados para liderar o governo.
Vale ressaltar que, em 2022, a Suprema Corte de Israel suspendeu a aplicação de uma lei que permitia a retirada da cidadania de israelenses cujas ações fossem consideradas uma quebra de confiança no Estado. Espera-se que iniciativas legislativas semelhantes enfrentem resistência na corte constitucional.
Opinião
A crescente tensão em Israel reflete não apenas a polarização política, mas também a necessidade urgente de um debate sobre a liberdade de expressão e os limites da crítica em tempos de conflito.





