Economia

Banco Central sabia da má fama de Daniel Vorcaro antes de aprovar compra

Banco Central sabia da má fama de Daniel Vorcaro antes de aprovar compra

Daniel Vorcaro, banqueiro do liquidado Banco Master, teve sua reputação questionada por ex-servidores do Banco Central. Documentos internos mostram que a má fama de Vorcaro era conhecida desde 2019, quando ele tentou adquirir o Banco Máxima, que enfrentava um rombo bilionário.

A primeira tentativa de compra foi rejeitada em fevereiro de 2019, durante a gestão de Ilan Goldfajn, devido a falhas na comprovação da origem dos recursos e na capacidade financeira de Vorcaro. No entanto, essa negativa não considerou formalmente sua reputação, que já era vista como problemática por alguns técnicos do BC.

Após ajustes, Vorcaro reapresentou sua proposta em maio de 2019, e a aquisição foi aprovada sob a presidência de Roberto Campos Neto. O Banco Central, que tinha conhecimento da má reputação de Vorcaro desde 2019, optou por não barrar a operação, considerando que não havia impedimentos legais para a aprovação.

O Banco Máxima, que poderia gerar um prejuízo de até R$ 1,8 bilhão ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), foi reestruturado e transformado no Banco Master em 2021, após Vorcaro realizar um aporte de R$ 400 milhões. O novo banco passou a atuar em crédito consignado e serviços financeiros.

Recentemente, Vorcaro foi preso preventivamente por suposta participação em um esquema de desvio de recursos e por tentar interferir nas investigações, levantando questionamentos sobre a decisão do Banco Central em aprovar sua compra do Banco Máxima.

Opinião

A situação de Daniel Vorcaro ilustra a complexidade das decisões no setor financeiro e a importância de uma análise rigorosa da reputação dos envolvidos nas aquisições de instituições bancárias.