Os juros futuros operam em forte queda nesta terça-feira, 28, dando continuidade à dinâmica positiva das últimas sessões. Essa movimentação é impulsionada pelos resultados do IPCA-15 de julho e pela nova rodada de queda nos preços do petróleo, em meio a sinais de que Irã e Estados Unidos podem retomar o acordo de cessar-fogo.
Por volta de 13h20, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 caiu de 13,91% para 13,855%. A do DI de janeiro de 2028 recuou de 14,04% para 13,905%, enquanto a do DI de janeiro de 2029 anotou uma forte baixa, passando de 14,435% para 14,15%. A taxa do DI de janeiro de 2031 também caiu, de 14,585% para 14,38%.
Impactos do IPCA-15
O principal fator que impulsiona o recuo das taxas é o IPCA-15 de julho, cuja alta modesta de 0,06% ficou bem abaixo das expectativas do mercado, representando o menor resultado para o mês desde 2023. A composição do indicador foi benigna, com uma desaceleração na média dos núcleos da inflação, que caiu de 0,34% em junho para 0,21% neste mês.
O economista Matheus Pizzani, do PicPay, comenta que os dados reforçam a perspectiva de que o Banco Central possui margem para continuar com o ciclo de calibragem em sua próxima reunião. Apesar da resiliência da inflação de serviços, que ainda está acima de 5%, a desaceleração dos núcleos e a expectativa de um comportamento mais estável do IPCA devem permitir ao Copom reduzir a Selic de 14,25% para 14,00% na próxima semana, com projeções indicando uma queda para 13,50% até o final de 2026.
Expectativas de mercado
Para a reunião do dia 5, o mercado já precifica um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. As opções digitais do Copom indicam quase 90% de chance de que o corte ocorrerá, enquanto apenas 10% acreditam que a taxa permanecerá em 14,25%. Caso o cenário se mantenha, o debate sobre a extensão do ciclo de calibragem monetária até setembro se intensificará.
Além do cenário doméstico, o ambiente externo também contribui para a descompressão dos prêmios de risco. Com rumores de que os EUA e o Irã estão próximos de retomar o acordo de paz, o preço do petróleo caiu 4%, operando próximo de US$ 80 por barril, uma queda significativa em relação à semana passada, quando o barril foi cotado acima de US$ 100.
Leilão do Tesouro Nacional
Hoje, o Tesouro Nacional realizou um leilão de títulos atrelados à inflação e indexados à Selic. Foram vendidos 1 milhão de LFTs, e os lotes de NTN-B totalizaram 150 mil papéis, dos quais apenas 74,5% foram absorvidos pelo mercado, evidenciando a crise no mercado de NTN-Bs e a dificuldade do Tesouro em ofertar essa classe de títulos.
Opinião
A expectativa de um corte na Selic é um sinal positivo para a economia, mas a resiliência da inflação de serviços ainda gera incertezas que precisam ser monitoradas.





