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Artur Maia e UFPE criam índice para decifrar estresse ambiental em Recife

Artur Maia e UFPE criam índice para decifrar estresse ambiental em Recife

Renato Lino, profeta da chuva de Quixadá, no Ceará, ensina que a natureza se comunica e que é possível decifrar suas mensagens. Com 78 anos, ele observa elementos como a catingueira e o pássaro conhecido como maria-de-barro para prever o clima. Agora, um grupo de pesquisadores quer utilizar tecnologia digital e inteligência artificial para traduzir essas informações.

O projeto, que começará em Recife, Pernambuco, é liderado por Artur Maia, biólogo e pesquisador do departamento de botânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa visa estudar seres vivos na cidade para entender o que eles revelam sobre o ambiente urbano.

Projeto Apeiron e Índice de Resiliência Metabólica

A pesquisa, batizada de Apeiron, que significa ilimitado em grego, usará equipamentos para captar sons de morcegos, analisar o comportamento das ostras, a transpiração das aroeiras e o voo das abelhas em Recife. Os dados coletados serão comparados com registros de áreas com menor influência humana, como a Reserva Ambiental de Saltinho e a APA de Guadalupe, no litoral sul de Pernambuco.

O objetivo é calcular o Índice de Resiliência Metabólica (IRM), que medirá o estresse ambiental enfrentado pelos organismos. Artur Maia explica que a diferença entre o ritmo de vida das ostras em ambientes estressantes e em áreas protegidas mostrará a resiliência das espécies.

“O estresse é uma informação que não pode ser fingida”, afirma Artur. A pesquisa reunirá dados das respostas metabólicas de cada espécie monitorada, criando um índice que reflete a saúde ambiental de Recife, semelhante ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), mas focado em parâmetros ambientais.

Implicações para o planejamento urbano

Os testes do projeto Apeiron estão previstos para começar até novembro e serão conduzidos pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR). Artur Maia ressalta que a observação do metabolismo das espécies pode levar a ações concretas para um planejamento urbano que considere a cidade como um organismo vivo.

Opinião

Iniciativas como a do projeto Apeiron são essenciais para integrar ciência e urbanismo, promovendo um desenvolvimento mais sustentável e consciente em áreas urbanas.