Economia

Alfredo Setubal alerta: economia pode enfrentar recessão em 2027 com juro alto

Alfredo Setubal alerta: economia pode enfrentar recessão em 2027 com juro alto

A pouco mais de quatro meses do final do ano, grandes empresas e bancos do Ibovespa preveem um cenário desanimador para a economia brasileira em 2027. A expectativa é de que a economia cresça apenas 1,5% no próximo ano, enquanto a Selic deve permanecer elevada, projetada em 12% ao ano até o final de 2027.

Segundo um levantamento da Folha de S. Paulo com 76 companhias listadas na Bolsa, o aumento do endividamento das famílias, que atingiu 82% em julho, reflete diretamente nas contas básicas como água e luz. Empresas como CPFL Energia e Copasa intensificaram os cortes no fornecimento de serviços devido a essa alta inadimplência.

Desafios enfrentados pelas empresas

Gustavo Estrela, CEO da CPFL Energia, destacou que o desafio no pagamento das contas de energia está se refletindo no aumento da inadimplência, que subiu de 0,82% para 1,08% entre 2025 e 2026. Cleyson Jacomini, CEO da Copasa, também comentou sobre a situação desafiadora e a necessidade de adotar novas estratégias de cobrança.

No setor varejista, empresas como Lojas Renner e Assaí mencionaram pressão no consumo devido à Selic alta. Alfredo Setubal, CEO da holding Itaúsa, referiu-se a um possível cenário de “pequena recessão”, alinhando-se à visão de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central. Setubal enfatizou que a desaceleração econômica ocorre mesmo com os incentivos do governo para aumentar o consumo e renegociar dívidas.

Perspectivas do setor bancário

O setor bancário também expressou preocupação com a situação. Executivos do BTG Pactual e do Santander indicaram que a inadimplência do crédito é um ponto crítico. Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, afirmou que o cenário desafiador para 2027 está se tornando um consenso entre os especialistas.

As projeções do Boletim Focus indicam que a Selic permanecerá em 12% e que o PIB deve crescer apenas 1,5% em 2027. Para 2026, a previsão é de uma expansão de 1,98%.

Impactos do endividamento nas famílias

O endividamento das famílias, que já é alarmante, pode levar a uma desaceleração do consumo em 2027. Com cerca de 30% das famílias inadimplentes e 12% sem condições de pagar suas dívidas, a situação se torna crítica. Joelson Sampaio, professor da FGV, ressaltou que a Selic alta cria um ambiente desafiador para as empresas, impactando tanto as decisões de investimento quanto a receita, devido ao consumo comprometido das famílias.

Opinião

O cenário econômico para 2027 apresenta desafios significativos, com a combinação de alta taxa de juros e endividamento crescente das famílias, o que pode levar a uma desaceleração mais acentuada do que a prevista.