O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), admitiu, em entrevista à GloboNews no dia 13 de outubro, que está sofrendo pressão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de políticos, tanto do Congresso quanto de fora, para barrar a votação da convocação do ministro Dias Toffoli.
Toffoli deixou a relatoria do caso que envolve o Banco Master após a Polícia Federal encontrar menções a ele no celular do dono da instituição, Daniel Vorcaro. Segundo informações do Estadão, o ministro recebeu dinheiro de uma empresa que realizou negócios com um fundo ligado ao cunhado de Vorcaro. Toffoli confirmou ser sócio da empresa, mas negou manter “relação de amizade” com o banqueiro.
“Sempre há pressão quando se lida com investigados deste tamanho. São bilhões de reais e figuras muito poderosas nas três esferas do poder”, disse Vieira, que também classificou como “vexame” a nota assinada por todos os magistrados do STF em defesa de Toffoli. A nota, que foi assinada por dez ministros, afirma que Toffoli não pode continuar como relator, mas também o considera “imaculado e intocável”.
CPI do Crime Organizado e a Investigação do Banco Master
O senador Vieira criticou o fato de apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) poder autorizar a investigação de ministros da Corte, afirmando que isso limita a democracia. Ele expressou sua expectativa de que a votação da convocação de Toffoli ocorra após o carnaval, no dia 24 de fevereiro, data marcada para a próxima reunião da CPI.
“Eu vejo a votação como fundamental para darmos um respaldo e uma amplitude para a investigação. Temos quatro grandes escândalos que se entrelaçam: emendas parlamentares, Carbono Oculto, INSS e, agora, o Banco Master”, afirmou Vieira.
Além disso, o presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), solicitou ao ministro André Mendonça, do STF, a devolução de todos os documentos referentes às quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Investigação e Conexões
Vieira destacou que, ao olhar mais de perto, percebe-se que as investigações estão entrelaçadas em duas pontas: a lavagem de dinheiro, onde se incluem o Banco Master e outros, e a infiltração política e judicial do crime organizado. A CPI também pretende investigar transações envolvendo o Tayayá Resort, ligado à empresa Maridt, que tem participação de donos do Banco Master e dos irmãos de Toffoli.
O contrato do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, com o banco de Daniel Vorcaro, poderia chegar a até R$ 129 milhões se cumprido integralmente. A CPI do Crime Organizado, criada em novembro do ano passado, investiga temas como ocupação de território por facções, lavagem de dinheiro, corrupção e sistema prisional.
Opinião
A situação atual da CPI do Crime Organizado ilustra a complexidade das investigações e as pressões políticas que envolvem figuras de destaque no cenário nacional.
