Dos cerca de 20 dias úteis de um mês, Alzimiro Thomé passa apenas cinco ou seis na sede da Central Cresol Baser, em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná. O restante da agenda do presidente do Conselho de Administração é dedicado ao corpo a corpo com associados, às visitas às cooperativas filiadas e aos compromissos institucionais. Para estar próximo dos cooperados, já chegou a percorrer 6 mil quilômetros por mês. Essa disponibilidade, porém, veio com uma mudança na forma de administrar.
À frente do Conselho de Administração da central desde 2013, hoje consegue manter essa agenda porque a condução cotidiana dos negócios está nas mãos de executivos contratados. “A nossa função, muito estratégica, é fazer com que a gente não perca essa aproximação com a comunidade, essa aproximação com o cooperado, porque a grande razão de existir o cooperativismo são as pessoas”, afirma.
Divisão de responsabilidades no cooperativismo
O arranjo, em que os eleitos ouvem a base e definem os rumos, enquanto os profissionais executam o que foi decidido, se espalha pelo cooperativismo brasileiro. O setor registrou R$ 848 bilhões em faturamento e chegou a 29 milhões de associados em 2025. Com cooperativas movimentando bilhões de reais, a divisão de responsabilidades entre conselhos e executivos virou uma forma de acompanhar o crescimento sem tirar dos cooperados o controle sobre seu patrimônio.
As estratégias de mercado mudam, mas a essência permanece. Em 1996, aos 30 anos, Thomé produzia grãos e leite e encontrou na Cresol uma oportunidade de melhorar sua atividade. O convite para se associar veio acompanhado de outra tarefa, a de atuar como líder comunitário.
Lar Cooperativa Agroindustrial e suas mudanças
A Lar Cooperativa Agroindustrial, com sede em Medianeira, no Oeste do Paraná, também passou por mudanças na administração. A cooperativa, 5ª maior empresa do Sul do país, encerrou 2025 com R$ 23,2 bilhões em receita líquida, alta de 14,4% sobre o ano anterior. Reúne 17 mil famílias associadas e 27 mil funcionários, comercializando grãos e produzindo carnes e biodiesel.
Em agosto de 2026, a assembleia da Lar Cooperativa aprovou ajustes estratégicos no modelo de gestão, reduzindo o Conselho de Administração de nove para sete integrantes. A nova estrutura, prevista para 2027, visa aumentar a eficiência na gestão e aprofundar a profissionalização.
Protegendo o patrimônio dos associados
A história do setor cooperativista mostra o preço de erros de gestão e projetos mal calculados, que recaem sobre o patrimônio coletivo dos associados. A profissionalização não altera um princípio fundamental do cooperativismo, que é manter o poder de decisão dos associados. O modelo de dupla governança distribui responsabilidades sem retirar dos cooperados o poder exercido por meio das assembleias.
Opinião
A transformação nas gestões de Cresol e Lar Cooperativa reflete a necessidade de adaptação às demandas do mercado, garantindo que os associados continuem a ter voz ativa nas decisões.





