Se o primeiro turno das eleições 2026 para presidente da República foi ofuscado pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve todos os elementos — ou quase todos — de uma típica campanha. Ataques, acusações, debates, manifestações, exércitos digitais e decisões judiciais marcaram a disputa. As propostas, no entanto, foram jogadas para segundo plano.
Mal havia terminado o primeiro turno, com o candidato do PL na frente do petista, e o tom da campanha subiu. O confronto passou a ser, de fato, entre Flávio e Lula, sem distrações de outros candidatos. Flávio declarou: “É o fim da era do PT. Está decretado o fim da era do PT, a mudança no nosso país.” Lula, por sua vez, afirmou que o segundo turno seria a prova das diferenças entre as propostas dos candidatos.
Apoios e estratégias de campanha
Flávio Bolsonaro conseguiu o apoio de governadores eleitos, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), o que fortaleceu sua base. Lula, por outro lado, apostou em medidas populares para elevar sua popularidade, como a decisão de zerar impostos federais sobre a gasolina e ampliar o programa Pé-de-Meia para universitários.
Além disso, Lula articulou a votação do fim da escala 6×1 no Senado Federal, que foi aprovada em 15 de outubro. Flávio, mesmo contrário ao texto, acabou sendo forçado a apoiar a mudança.
Debates e trocas de acusações
No debate da Band, realizado em 18 de outubro, Flávio e Lula não apresentaram propostas concretas, mas sim uma troca infindável de acusações. Ambos usaram o debate para gerar conteúdo para as redes sociais. O formato do debate da Globo trouxe regras mais rígidas, forçando os candidatos a focarem em áreas de desenvolvimento e segurança pública, mas as acusações continuaram a dominar.
Guerra de sigilos e polêmicas
No fim do debate da Band, Lula desafiou Flávio a abrir sigilos bancário, telefônico e eletrônico. Flávio, que inicialmente desqualificou a proposta, apresentou uma contraproposta com condições, incluindo a ampliação do sigilo para aliados. Essa guerra de sigilos inundou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com petições, e o ministro André Mendonça afirmou que a divulgação dos sigilos é escolha de cada um.
Opinião
A disputa acirrada entre Flávio Bolsonaro e Lula reflete a polarização política do Brasil, onde ataques e acusações parecem ter tomado o lugar de propostas concretas para o futuro do país.





